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minhas notas

Viva o Nosso Cardeal

25.01.19 | minhasnotas

O Papa Francisco nomeou cardeal o bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, natural da Freguesia de Tronco, Concelho de Chaves. Uma notícia que encheu de alegria e regozijo a Igreja em Portugal e mais concretamente a Diocese de Vila Real, de onde é oriundo e onde se formou como sacerdote e bispo. Um cardeal é um bispo escolhido pelo Papa para o aconselhar e ajudar no governo da Igreja.

O mesmo confessou à imprensa que se sente surpreendido pela nomeação, que nunca lhe passou pela cabeça tal chamamento, e até encara tudo isto com algum humor e sem pós de distinção mundana ou de grandes importâncias, porque nunca o poder lhe subiu à cabeça, sabiamente aconselhado pelo seu pai, que foi guarda fiscal. Na Igreja, a autoridade e o poder é o serviço e não tem qualquer sentido o carreirismo ou o alpinismo carreirista. Quem bem o conhece, atesta esta forma evangélica de estar na vida.

Tive o privilégio e o prazer de o ter como professor e formador, trabalho que exerceu durante vários anos na Diocese do Porto, nomeado pela Diocese de Vila Real. Acompanhou as últimas gerações de padres de Bragança, Porto e Vila Real, todos juntos no Porto, onde se tira o curso de Teologia. Percebia-se facilmente que estávamos diante de um grande teólogo, sábio e competente, um docente sempre atento, dedicado, apaixonado, generoso, mas também rigoroso e exigente. Não nos surpreendeu apenas pela supina racionalidade e inteligência, mas também pela afetividade e pela carga sentimental que punha naquilo que ensinava. Recordo-me que ensinava alguns conteúdos de teologia com as lágrimas nos olhos, o que ainda hoje faz com uma genuinidade desarmante. Une, de forma admirável, a inteligência e o coração.

Como formador, deixou uma marca indelével pela forma humana e adulta como tratava os seminaristas, paladino da liberdade responsável. Tinha sempre o cuidado de nos alertar para a beleza da liberdade, vivida com responsabilidade. Uma tem de andar a par da outra. E não deixava de testemunhar todos os dias a vivência de um sacerdócio alegre e feliz, que não podia deixar de contagiar e estimular, o que continua a exibir como bispo.

Já teve o cuidado de elencar à imprensa os possíveis motivos da sua nomeação: pela sua experiência, sabedoria e competência, dar o seu contributo ao Papa e à Cúria romana no governo da Igreja Católica; aproximar mais as dioceses do Papa, desejo há muito manifestado pelo Papa Francisco, tendo grande peso a importância do santuário de Fátima para a Igreja e para o mundo, enquanto espaço de evangelização e encontro dos povos e culturas de todo o mundo, importância que o Papa experimentou na celebração do centenário; a confiança que o Papa deposita na sua pessoa para reformar a Igreja, existindo sintonia de ideias na edificação de um igreja mais evangélica, mais próxima e misericordiosa, mais serva, mais pobre, mais aberta, mais descentrada de si mesma e mais preocupada com os problemas do mundo.

Exultamos pela feliz e acertada escolha que o Papa Francisco fez. Passa a contar no seu colégio cardinalício com uma pessoa excecional, um padre e um bispo exemplares, um pastor sagaz e um teólogo notável, que muito o pode auxiliar na renovação da Igreja Católica.