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Vencer o Clericalismo


31.01.19

O Papa Francisco tem apelado à erradicação do clericalismo na vida da Igreja, considerado uma das causas da pedofilia. Já lhe chamou uma peste e uma perversão da Igreja. O clericalismo é organizar a vida da igreja só a partir do clero (Papa, bispos, padres e diáconos) e para o clero, fazer girar toda a atividade e ação eclesial à volta do clero. Por um lado, tem sido promovido pelo próprio clero, que quer ter poder e domínio, mandar em tudo e ter sempre autoridade em tudo. O clero é que sabe, por isso, manda e decide. Daí que a palavra Igreja esteja conotada com o Vaticano, com a cúria romana ou com os bispos e os padres. O «povo» não é a Igreja. O povo obedece, assiste e cumpre. Por outro lado, também tem sido estimulado pelos próprios leigos, porque não sabem agir sem o clero, deixam tudo para os bispos e os padres e não assumem o seu papel e missão dentro e fora da Igreja. São leigos clericalistas. É preciso reformar este estado das coisas na vida da Igreja, conforme é exigência do Concílio Vaticano II.

A Igreja tem de reformar a sua cultura e sua construção piramidal. E todos os cristãos têm de se envolver nesta reforma. Não podemos persistir neste modelo em que Papa, bispos e padres mandam e decidem, são os senhores do saber e do poder, e os leigos obedecem e cumprem, já que são quase uns ignorantes e não sabem fazer nada, são uns incompetentes. Jesus deixou expresso no Evangelho que quer que a Igreja seja uma comunidade de irmãos ao serviço uns dos outros, sem poder e domínio de uns sobre os outros e sem o desvio de uns pensarem que são superiores aos outros, uma Igreja alicerçada na fraternidade e igualdade, na igual condição de todos, na corresponsabilidade, assente no mesmo batismo e Espírito que todos receberam. A hierarquia tem a sua razão de ser, mas a hierarquia não é o centro da Igreja. Cristo é que é o centro e, em nome de Cristo, a hierarquia está ao serviço de todo o Povo de Deus, cabendo-lhe organizar a vida e a missão da Igreja, e não o Povo de Deus está ao serviço da hierarquia, como se esta fosse mais digna e sagrada do que o restante Povo de Deus. Não é só o bispo e o padre que é um alter Christus (outro Cristo). Todo o cristão é um alter Christus, devendo assumir o seu papel e o seu protagonismo na vida e na missão da Igreja.    

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