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minhas notas

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Uma Palavra ao Papa Francisco


31.01.19

Se pudesse, um dia, estar um pouco com o Papa Francisco, em amena cavaqueira, dir-lhe-ia duas coisas: acho, e desculpe-me fazer parte do grupo dos achistas, que não compete à Igreja colocar-se no lugar de Deus e antecipar o que Deus fará ou deixará de fazer. Em Jesus Cristo, Deus revelou-se e deu-se a conhecer. Quem vê Jesus, vê o Pai. Contemplando Jesus Cristo, vemos os sentimentos e atitudes de Deus. Mas isso não quer dizer que tudo seja assim tão mecânico e automático, que possamos manipulá-lo e dispor d’Ele como muito bem entendemos. Deus saberá o que muito bem deve fazer, na sua infinita sabedoria e omnipotência. Ele continua a governar e a reger a vida dos homens e do mundo. Daí que talvez não seja muito correto dizermos que "Deus perdoa sempre". Deus é amor e em Jesus Cristo manifestou que tem sempre uma vontade infinita de recriar e reconciliar a vida das pessoas, mas pô-lo a perdoar sempre e a perdoar tudo, sem mais nem menos, talvez seja um pouco abusivo. Deixemos Deus ser Deus. À Igreja compete falar com Deus e não pôr-se no lugar de Deus, querendo-nos apropriar d'Ele, dos seus dons e das suas bênçãos. Reparemos como as orações da liturgia nos põem sempre numa atitude de súplica. Lembram-nos que a vida é diálogo com Deus e que nada está assegurado, sob pena de reduzirmos a vida a um faz de conta. Falemos com Deus e não em nome de Deus.

Em segundo lugar, noto que, alguns dos discursos mais duros que proferiu, foram para dentro da Igreja. Esta, de facto, é pecadora. Vamos sabendo que a cúria romana aninha dentro de si algumas imoralidades escandalosas e se deixou seduzir pelos valores mundanos. O seu desespero é tal que já afirmou, mais do que uma vez, que é melhor ser ateu do que ser um cristão hipócrita. Mas lembro-lhe que a Igreja tem feito caminho com pessoas pecadoras e miseráveis. Olhemos para os apóstolos. Seguiam Jesus enamorados pelo poder e orgulho pessoal. E o valentão do Pedro, que prometeu dar a vida por Jesus, teve um imponente gesto de covardia, e não deixou de ser o escolhido para pastor supremo da Igreja. É com estas pessoas que temos de continuar a fazer caminho, porque se estamos à espera dos que não são hipócritas e são melhores do que aqueles que vão à Igreja, como dizem, bem podemos fechar as igrejas.

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