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Um Novo Paradigma Para a Catequese


25.01.19

Dentro de pouco tempo, vai começar uma das atividades ou ações mais importantes das comunidades cristãs: a catequese. Nos últimos tempos, foi proposto aos agentes eclesiais desta importante área da Igreja um documento de trabalho para reflexão e renovação da catequese, a partir da Carta Pastoral «Catequese: A Alegria do Encontro Com Jesus Cristo», que os bispos portugueses apresentaram no dia 13 de maio deste ano.

O ponto de partida para toda esta movimentação dentro da Igreja foi a visita dos bispos portugueses a Roma, onde ouviram do Papa Francisco, no dia 7 de setembro de 2015, alguns reparos à pastoral portuguesa, manifestamente deficiente no campo catequético, acusando alguma desatualização face às exigências e desafios dos tempos atuais, verificando-se um abandono precoce das novas gerações. O repto ficou logo lançado pelo pastor supremo da Igreja: «Ao catequista e à comunidade inteira é pedido para passar do modelo escolar ao catecumenal: não apenas conhecimentos cerebrais, mas encontro pessoal com Jesus Cristo, vivido em dinâmica vocacional segundo a qual Deus chama e o ser humano responde.(…) Precisamos de conferir dimensão vocacional a um percurso catequético global que possa cobrir as várias idades do ser humano, de modo que todas elas sejam uma resposta ao bom Deus que chama».

A escolarização da catequese, como a «redução da catequese a um encontro semanal, por vezes em apertados horários pós-escolares e a par ou mesmo em concorrência com atividades formativas ou recreativas talvez mais aliciantes; uma calendarização idêntica à da escola, com os catequizandos ausentes das maiores celebrações, como as da Páscoa e do Natal, por se realizarem em tempo de férias; a instrumentalização das celebrações ao longo do percurso catequético, incluindo a do Crisma, para segurar os catequizandos até, uma vez crismados, deixarem a Igreja como deixam a escola; a linguagem usada, predominantemente escolar – “matrículas”, “exames” “aulas”, “alunos” e a identificação destes por anos, como na escola», foi um caminho errado. Argumentaremos que foi prático e que não deixou de dar os seus frutos numa sociedade marcadamente católica e com grande presença e intervenção familiar. Mas, atualmente, não está a fazer cristãos, discípulos de Cristo e membros da Igreja.

A escola seguirá o seu ritmo e o seu caminho e a catequese terá de encontrar outra configuração, outro ritmo e outro caminho, apostando no modelo catecumenal, isto é, um modelo que não aposte só na transmissão de fórmulas, verdades, conceitos, ideias e conhecimentos sobre Deus, religião e a Bíblia, mas se centre, sobretudo, na experiência e na vivência da fé, na relação e no encontro com Deus, formando todas as dimensões do crente e possibilitando uma adesão livre e madura de seguir Jesus Cristo e fazer parte da Igreja. O fim da catequese não é fazer sabichões de doutrina ou dum catecismo, como quem aprende uma tabuada, mas formar discípulos, pessoas que de verdade assumem a fé, que vivem o que aprendem, comprometidas, dispostas a caminhar na fé, numa relação convicta e madura com a Cristo e com a Igreja, na resposta a um chamamento permanente. E o catequista não é um mestre ou um professor de fé e religião, que passa conteúdos. É ou deve ser uma testemunha, que ensina não só o que sabe, mas sobretudo o que vive e experimenta, como aquele que acompanha um processo de iniciação, como alguém que é um mediador, um facilitador do encontro do catequizando com Deus», nas palavras da Irmã Isabel Martins, do Patriarcado de Lisboa.

Nas nossas comunidades de Barroso, persiste o esquema escolar. Mas como a família está a deixar de cumprir a missão de transmitir e acompanhar o crescimento da fé, temos de nos abrir a um novo modelo de catequese, dito catecumenal. Que as nossas comunidades se preparem e estejam abertas a esta renovação da catequese, fundamental para o futuro da vida cristã e das nossas comunidades.

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