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minhas notas

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Um Natal de Enfeites e Prendinhas


25.01.19

Quem tem vindo a acompanhar a celebração do Natal nos últimos anos, e por mim falo, certamente, e se habituou a celebrar um Natal genuinamente cristão, não pode deixar de sentir alguma desilusão por esta adulteração e banalização a que tem sido sujeito, reduzido a mais uma mera festa familiar, para comer e beber, brincar aos presentes, esmagado pelo frenesim económico e material, pelo bulício dos enfeites e pelo ruído fastidioso de músicas cantadas até à exaustão, sem qualquer ligação e referência ao nascimento de jesus Cristo. Já nem à missa de Natal se vai. Vejam lá que proeza realizámos: Jesus Cristo tornou-se um marginal do Natal. O fundador do Natal está ostracizado do Natal. Como diz criticamente o nosso bispo, D. Amândio José Tomás, «aproxima-se a Festa do Nascimento de Jesus, que pouco diz a quem trocou o Menino Jesus pelo Pai Natal e pelo consumo desenfreado dos prazeres do mundo secularizado, agnóstico, indiferente e egoísta. O Natal perdeu a conotação religiosa, com o Filho de Deus feito homem. O eclipse de Deus trocou a adoração de Jesus pelo dinheiro, pelos bens materiais, pelo espetáculo e pelo brilho efémero das coisas terrenas.»

Andamos a celebrar um Natal postiço e mentiroso, com muitas luzes e muitos enfeites exteriores, que não passa de artificialismo, já que, por dentro, infelizmente, estamos às escuras, sem a luz e a palavra de Deus dentro de nós. Um Natal que está reduzido à diversão e ao entretenimento, com a repetição mecânica de costumes e tradições. Enfim, um Natal sem fé, sem vivência cristã, sem espiritualidade, sem vontade de acolher e aderir a Jesus Cristo e ao Evangelho, o sentido mais autêntico e o significado verdadeiro do Natal.

De Norte a Sul de Portugal, desfazemo-nos em campanhas de solidariedade e desfiamos belas arengas sobre fazer o bem e amar o próximo, sobretudo o que mais precisa, ouve-se que o Natal é amor, paz, fraternidade, comunhão, solidariedade, generosidade, batem-se palmas estridentes, numa atmosfera de grande exultação, que rapidamente se esfria. Na verdade, toda a nossa vida deve ser sempre assim, não é só nesta época. O Natal não é um intervalo para os bons valores e os bons princípios, que depois esquecemos no resto do ano.  

Com os belos discursos de Natal não andamos senão a mascarar uma sociedade que está a perder os bons valores, uma sociedade que só pensa na diversão, que desaprendeu a fazer sacrifícios pelos outros, diz que pensa muito no próximo, mas o que se vê crescer é o egoísmo, o individualismo, proclama o propósito da paz, mas promove e alimenta-se de agressividade e de violência, afirma que não há nada de mais belo do que a solidariedade, mas depois o que se vê é a indiferença e a insensibilidade, com níveis gritantes, apregoa o respeito pela dignidade de cada pessoa, mas depois, sem escrúpulos, dedica-se à destruição do outro no trabalho, na empresa ou que mora ao lado e ao desprezo pelo que vem de fora, manifesta apreço pela ecologia, mas depois o que importa é o materialismo e o consumismo, declara a necessidade da inclusão e integração de todos, mas depois condena os mais velhos ao abandono e à solidão e entrega-se friamente ao abandono dos doentes nos hospitais para se ir de férias ou para ser ir viajar, reúne a família no natal, mas depois aprova leis atrás de leis para se destruir cada vez mais a instituição familiar, profere em arrebatadoras alocuções a importância e o respeito pela moral, mas depois o que quer é um estilo de vida sem compromissos e responsabilidades, um estilo de vida low cost pessoal, revestido de hedonismo e facilitismo, com a fuga ao cumprimentos dos deveres. Não haja dúvidas: vale mesmo a pena prestar atenção aos belos discursos de Natal!

O nosso Natal tornou-se uma festarola frívola, um natal de plástico e de hipocrisia, balofo e superficial. Mais uma festa para conviver e nos entretermos uns com os outros, um natal de enfeites e prendinhas, mas, infelizmente, um natal que não transforma e não fecunda a vida. E porquê? Por que o essencial não acontece: abertura e acolhimento do Filho de Deus e da sua palavra. Enquanto não voltarmos a colocar Jesus e a fé no cento do natal, vamos andar entretidos com festarolas.   

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