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minhas notas

19.07.22

Os últimos dados confirmam uma tendência dos últimos anos: os casamentos na Igreja estão em queda livre. São dados que não me suscitam apreensão e angústia. Claro que, como padre, gosto de ver os casais a abraçar o matrimónio da Igreja e constituírem uma família, mas prefiro que quem case na Igreja o faça bem, por poucos que sejam, do que termos muitos matrimónios celebrados sem espírito cristão e sem adesão aos valores e ensinamentos da fé cristã, num mero cumprimento cultural ou de tradição religiosa e social.

Infelizmente, o casamento está transformado numa mera festa social, para juntar família e amigos, fazer um álbum de fotografias vistosas e chiquérrimas, dar largas à gula e cumprir uns tantos rituais e momentos de diversão, ditos inesquecíveis, com que temos vindo a atafulhar os casamentos. Oportunidade única para mais consumismo, exibicionismo, doses transbordantes de emoção e folia.

Quem dá uma vista de olhos pelo caderno de encargos dos noivos, não pode deixar de ficar assombrado. Uns quantos meses antes começam as festividades, mil e uma preocupações tomam conta dos noivos e amigos mais próximos. Orçamentos para tudo e mais alguma coisa, com empresas muito bem preparadas para satisfazerem todos os caprichos e prestimosas extravagâncias dos noivos e as etiquetas e praxes imprescindíveis dos tempos modernos, onde não faltam despedidas de solteiro ou solteira exóticas e inéditas, e algumas, diga-se, aberrantes. Pobres noivos, quando deveriam passar um tempo sereno de ponderação, descoberta e aprofundamento do seu amor, são metidos num furacão de preocupações e necessidades estultas e desgastantes! Tem sentido tanta coisa?

Depois de tanto ruído e de tanto aparato, de tanto frenesim e de tanta festança, temos uma taxa de divórcios impensável, para não dizer vergonhosa, bem servida pela imaturidade, o individualismo e hedonismo reinantes. Temos uma sociedade que transformou o divórcio numa moda e normalizou o divórcio. Afinal, que espécie de casamentos são estes que andamos a celebrar? Que sentido têm muitos dos casamentos atuais? Tudo parece reduzido ao negócio, à diversão, à realização de um sonho pueril ou o cumprimento inconsciente e fugaz de um costume social.

É incompreensível o que se passa com os casamentos. É preciso mais seriedade, compromisso e maturidade. É preciso mais substância e menos aparência, mais verdade e menos diversão, mais simplicidade e autenticidade e menos encenação e quinquilharia desnecessária.

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