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minhas notas

Spotlight

31.01.19 | minhasnotas

Está em exibição nos cinemas o filme Spotlight. Conta a investigação que um grupo de jornalistas de um jornal de Boston fez sobre a pedofilia na Igreja Católica naquela arquidiocese americana. Descobriu-se um ror de casos, com uma centena de padres envolvidos. Uma devassidão de uma dimensão de fazer suster a respiração. Ao longo da investigação, confirma-se a descoberta mais tenebrosa: a hierarquia sabia de muitos casos, mudava os padres de paróquias e tudo fazia para que nada fosse descoberto, valendo-se do poder que tinha, em vez de afastar os padres e de os fazer comparecer diante da justiça. Uma conduta incompreensível. Não há justificação possível.

Católicos de todo o mundo ficaram perplexos e perturbados com estas revelações. Era preciso uma resposta firme e adequada e assim aconteceu. O Papa Bento XVI suscitou um sério e doloroso exame de consciência dentro da Igreja e agiu com celeridade, deixando bem claro que se a pedofilia existe no seio da Igreja, contudo, não é uma instituição pedófila. Pediu-se perdão, fez-se justiça às vitimas, decretou-se tolerância zero quer para quem a pratique, quer para quem a encubra, passou-se a dar mais atenção à formação dos seminários e à vida do clero. Com o Papa Francisco tem-se aprofundado ainda mais este trabalho.

A pedofilia na vida da Igreja é abominável, mas não tenho dúvidas de que a Igreja aprendeu e cresceu com esta sórdida imoralidade. Mas também nunca será de mais lembrar que a Igreja é santa e pecadora. Os homens e mulheres que dela fazem parte são feitos da mesma fragilidade que os outros e não é pelo facto de receberem sacramentos e bênçãos que ficam imunes de experimentar as maiores misérias humanas. Têm a obrigação de as evitar, porque a isso se comprometem, com exigência moral e espiritual, mas nunca deixarão de ser pessoas que fazem a experiência da fraqueza e da divisão dentro de si mesmas, como qualquer pessoa humana. Por isso, não consigo compreender a condenação severa e a impiedade feroz que certas fações da sociedade e cidadãos em geral lançam sobre a Igreja, como se a Igreja tivesse que ser santa à força e não ter falhas ou o mínimo resquício de pecado, o que é impossível.

Duas conclusões: fica-nos bem a humildade e é preciso fazer da vida cristã uma conversão permanente. Boa Quaresma.