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minhas notas

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Pobre Interior


31.01.19

De vez em quando, algumas das nossas aldeias do Barroso oferecem-nos uma das experiências mais estranhas e inquietantes por que passamos: ir de ponta a ponta das aldeias e não ver uma única pessoa. E mesmo após algum ruído, o silêncio permanece. Vai-se confirmando o que um prestigiado demógrafo afirmava aqui há uns tempos: «O interior está num sono de morte». O silêncio, muitas vezes, pressagia a erupção de novos mundos e de grandes mudanças. Mas, no nosso interior, vaticina o epílogo da vida de muitas das nossas aldeias e a estagnação e desertificação de uma região bela e rica, que deveria merecer outra atenção. Não há como fugir a este realismo. É por demais evidente que muitas das aldeias de Barroso não têm um futuro risonho no horizonte. A população, na sua maioria, é senil. Ainda temos alguns jovens, mas duvido que fiquem na terra. Crianças muito poucas (há paróquias onde não há um único batizado num ano). A longo prazo, o “reino maravilhoso” do Barroso terá pouca gente para conservar e produzir riqueza, na sua especificidade, que é a ruralidade, e para preservar e enriquecer todo o património cultural, familiar e paisagístico. Será uma região deserta, pobre e catatónica.

Em vez de se impor o rigor nas grandes cidades, onde o estado desperdiça dinheiro, na concessão de mordomias a parasitas do estado, pelo contrário, arrasa-se com o interior, pouco importando a qualidade de vida dos seus habitantes e a fixação da população por todo o território português. O interior sente assim, penosamente, o carácter eleitoralista e a permeabilidade aos lóbis de muitos inquilinos de S. Bento, que mais não têm a dizer que tudo isto «é inevitável». Não, meus senhores. Se desde sempre houvesse uma preocupação clara por todos os cidadãos e uma visão consistente e equilibrada do desenvolvimento e crescimento de todo o país, com respeito por todas as suas regiões, e uma governação racionalizada e bem ponderada com responsabilidade, talvez não fosse agora necessário assistirmos à depauperação e desertificação do interior. Dantes não tínhamos infraestruturas (bons edifícios e estradas) e tínhamos pessoas. Agora, temos boas estradas e bons edifícios, mas não temos pessoas e tudo indica que querem que não tenhamos pessoas. Anda sempre qualquer coisa ao contrário.

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