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minhas notas

O Terço

31.01.19 | minhasnotas

A Igreja recomenda carecidamente a todos os cristãos para que rezem o terço todos os dias, e, se o puderem fazer em família ou em grupo, melhor. Maio e outubro são meses em que se dá uma atenção especial a esta prática cristã. Está mais ou menos fundamentado que a origem do rosário se deu com o monaquismo. O povo mais simples, como não sabia ler, não conseguia acompanhar os monges e os frades na recitação dos salmos bíblicos (150). Criou-se, então, a prática de se rezar 150 pai-nossos, a que se acrescentou mais tarde a Ave-Maria e a Santa Maria, orações que apelam para o essencial da fé cristã. Passaram a chamar-lhe o saltério dos leigos. Na carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, o Papa João Paulo II afirma: «Com ele, o povo cristão frequenta a escola de Maria, para deixar-se introduzir na contemplação da beleza do rosto de Cristo e na experiência da profundidade do seu amor. Mediante o Rosário, o crente alcança a graça em abundância, como se a recebesse das mesmas mãos da Mãe do Redentor.»

É uma oração e uma prática muito válida, onde caminhamos com Maria para Cristo, e onde muitos cristãos encontram refúgio e buscam alento. Mas tem de ser bem celebrada. Deixo duas observações: habitualmente, nomeamos um mistério para contemplação, acrescentamos uma intenção e rezamos a dezena das Ave-Marias, com as restantes orações. Pergunto: como é que conseguimos contemplar, rezar e ainda pensar numa necessidade da Igreja ou do mundo ao mesmo tempo? Eu não consigo. Por outro lado, se o terço se torna num debitar monótono e repetitivo de orações, desfiadas distraidamente ou mecanicamente, sem atenção e sem o coração, não vejo que utilidade possa trazer à vivência cristã. E pergunto se muitos cristãos que o rezam se, de facto, farão contemplação do mistério e se estarão atentos ao que rezam. Escusado será dizer que não basta só rezar, é preciso rezar bem, e reparo que o terço nem sempre se reza muito bem, desde ritmo apressado, distração, excesso de textos e de intenções, mero cumprimento ou formalismo.

Há uma diferença muito grande entre rezar e ser rezadeiro. Oração que não seja busca e encontro com Deus, com participação plena da inteligência e do coração, não é oração. Fazer do terço um mero exercício rezadeiro é dar razão a quem o considera um ato de beatice.