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O Laicismo


31.01.19

Está hoje em marcha, um pouco por toda a Europa, uma impetuosa operação de laicização das sociedades, no sentido de libertá-las da influência das tradições religiosas (as religiões), deixando-se o espaço público para aquilo que é minimamente consensual entre todos. Mas infelizmente, laicidade tem sido confundida com laicismo. Uma coisa é preconizar a separação entre Estado e religião ou não dar a preferência a nenhuma religião sobre a vida social, outra coisa é excluir e não dar espaço à religião na vida pública, remetendo-a para a intimidade de cada um e excluindo Deus da vida social. A uma omnipresença naturalmente aceite da religião na cultura e na educação, está-se a passar inexplicavelmente para um silenciamento agressivo da religião e da fé.

Laicidade é vivermos num regime em que o Estado não tem nenhuma confissão religiosa, mas respeita as religiões, num clima de diálogo e de mútua colaboração, assim como a dimensão religiosa e espiritual do homem. Laicismo é vivermos num regime em que o Estado, ou se quisermos, a sociedade, se organiza agressivamente à margem de qualquer influência religiosa, prescindindo das religiões e negando-lhes qualquer direito de se expressarem na vida pública, direcionando a sua vivência para a vida privada.

A Igreja Católica aceita a laicidade. O Estado não deve ter religião e nenhuma religião, por maior ou menor que seja, tem o direito de impor a sua doutrina na vida pública. Mas o espaço público se não é dos crentes, também não é dos não crentes. É de todos. As religiões não devem ter direitos a mais, mas também não podem deixar de ter os direitos que merecem. Viver em laicidade é respeitar todas as instituições, forças e movimentos de uma sociedade, dando-lhes o direito de se expressarem na vida pública e de livremente desenvolverem a sua ação e missão.

Uma sociedade que negue ou abafe a dimensão espiritual e religiosa do ser humano, nunca será uma sociedade feliz. Disse-o muito bem Bento XVI: “É uma tragédia que na Europa, sobretudo no século XIX, se afirmasse e divulgasse a convicção de que Deus é o antagonista do homem e inimigo da sua liberdade. Deus é a origem do nosso ser, cimento e cume da nossa liberdade, não o seu adversário. É necessário que Deus volte a ressoar gozosamente debaixo dos céus da Europa”.

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