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minhas notas

Já não há o mínimo de decoro?

05.06.14 | minhasnotas

Não consigo entender e aceitar o caminho libertino que certa indústria artística e musical e que certos artistas do mundo do espetáculo e da música escolhem. É lastimável o que tem acontecido em muitos concertos musicais e o que se publica em muitas revistas do género. Todos os dias constatamos que o mundo atual idolatra o êxito e o sucesso a todo o custo e que, muitas vezes, vive-se uma vida encenada com argúcia para se andar nas bocas do mundo a toda a hora. Pobres dos coitados e das coitadas que vivem nesse mundo triste e bizarro! Mas conservamos sempre aquela convicção de que os limites e os padrões mínimos da moralidade não serão ultrapassados, sob pena de conspurcarmos a confiança e a convivência sadias entre pessoas humanas. A honra e o respeito pela nossa dignidade de pessoas humanas e o respeito pelos outros devem balizar sempre a nossa postura e a nossa ação.

Repare-se, por exemplo, nas atividades recentes da jovem Miley Cyrus ou do jovem Justin Bieber, e até da Rihanna, entre outros, como também poderíamos falar da rainha da pop musical noutros tempos, a Madonna, artistas idolatrados pela esmagadora maioria dos adolescentes e jovens atuais. Com o intuito de andarem sempre na berra e de não baixarem os índices de popularidade, que muito dinheiro lhes traz, vão colecionando todos os dias atrevimentos e pequenos acontecimentos e gestos com grande carga sexual e de descarada malcriadez, mau gosto, sem a mínima preocupação pela decência, sem qualquer respeito por si mesmos e pelos outros. Dir-me-ão que há uma indústria gananciosa e sem escrúpulos, que só vê dinheiro, por detrás deles, que os provoca e incentiva a fazer do escândalo e da parvoíce um modo de vida. É verdade. Mas mesmo assim, acreditamos que têm inteligência suficiente para não se deixarem enredar a pontos de enxovalho impróprios da sua dignidade e da moral que devem exibir como pessoas humanas. Se perdemos o respeitos por nós mesmos, que mais nos resta? 

A sociedade atual devia condenar abertamente e decididamente estes comportamentos e estas condutas e não deixar prosperar este tipo de indústrias debochadas, que se borrifam para a moral e para a decência humana, e fazer ver aos artistas que é preciso outra forma de estar na vida. Mas o que mais nos espanta, é que existe uma grande fatia da sociedade que se diverte e que gosta e até devora avidamente este carrocel de disparates, insolências, arrogância, libertinagem, sexualidade, escândalos e tolices. Alguns artistas também fazem o que fazem porque sabem que vende e que há um grande público que vai ter com que se entreter nos próximos dias. Vejam no que se está a tornar o facebook: a autoestrada para toda esta lixeira mediática. O que só põe a nu o défice de valores morais e humanos na sociedade atual, merecendo de nós uma séria preocupação e reflexão.

Ainda assim, e é o que mais me inquieta, é que faltam exemplos sólidos e referências claras para a nossa juventude, referências que incutam e inspirem bons ideais, causas nobres, valores humanos e sociais, o saber ver a vida para além do dinheiro e do sucesso, o sacrifício e a dedicação aos outros, o viver vidas autênticas, sem maquilhagem e sem fachada, a capacidade de enfrentar e vencer as dificuldade em nome de bens maiores, a busca de uma sociedade mais humana e justa. Aqui e acolá vão aparecendo pequenos grandes exemplos, mas não dominam a agenda mediática, sendo rapidamente despachados com meia dúzia de palmas, de forma que a juventude atual, dependente das novas tecnologias, com quem passa muito tempo, absorvendo muito do que vê e lê de forma muito passiva e acrítica, vai crescendo num deserto de referências consistentes e numa mixórdia de valores e contravalores, que a arrasta para uma vida vazia e banal, fortemente individualista e hedonista, ao sabor do imediato, sem grande sentido.