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minhas notas

As alterações climáticas e o meio ambiente estão finalmente na ordem do dia e vão marcar a discussão e a agenda mediática nos próximos anos. Já assim devia ter sido há muito tempo, quando surgiram alertas de muitos estudiosos e especialistas na matéria e de muitas instituições e associações preocupadas com o futuro do planeta. Até os Papas da Igreja, nos últimos anos, foram lançando alguns avisos sobre as agressões à natureza e apelando a maior consciência e responsabilidade no cuidado da criação e da terra, casa comum de todos os seres humanos.

Muitos acharam exagerada e até adiável esta advertência moral e longínquos os cenários catastróficos. Agora que vemos as águas das diabólicas intempéries a invadirem as nossas casas, a arrasarem tudo com gigantescos rios de lama e os nossos telhados a voarem como aviões de papel, percebemos finalmente que temos de aplicar mudanças e urgentes corretivos, e mudar atitudes e comportamentos, sob pena de caminharmos para o precipício e arrastarmos a humanidade para um abismo. É bom ver o envolvimento dos jovens, a agarrarem uma causa, que muito lhes diz respeito, e ainda bem que eles começam a entender que a vida não é só diversão, futebol, fazer noitadas em festivais de verão, passar só o tempo em vídeos jogos ou colados às redes sociais, derreter baterias de telemóveis a jogar uma infinidade de jogos, alimentar sonhos de viagens para países exóticos. Têm um mundo para assumir e construir e está na hora de lutar pelas boas causas da vida e do mundo. Espero que esta preocupação pelo ambiente não seja só fogo de vista e um entusiasmo passageiro, o alinhar com a moda e o pensamento dominante e se tornem mais conscienciosos e comprometidos para a vida.

Uma ingénua certeza ou convicção, ou muitos considerarão uma irresponsabilidade imperdoável, nos trouxe até aqui: pensarmos que os recursos da terra são inesgotáveis e que o planeta tem antídotos e resistência para suster todas as agressões que lhe são feitas. Não é verdade. E os sinais já são visíveis há muito tempo. Teremos de repensar o nosso estilo de vida, que é materialista e consumista, as fontes das nossas economias, o discurso político, que só sabe falar de crescimento, e as políticas desse mesmo crescimento, que terão de ser, obrigatoriamente, mais amigas do ambiente. E estaremos mesmo dispostos a mudar? Vamos trocar o nosso bem-estar e o nosso nível de vida num estalar de dedos? A ver vamos.

Não é preciso é seguir o caminho da acusação fácil e do radicalismo, como se em meia dúzia de dias se recupere o que andámos a fazer erradamente durante décadas. Não é possível. As mudanças que é preciso pôr em prática devem ser implementadas com gradualidade e ponderação, não se comprometendo o presente e não se gerando grande perturbação social, apesar de sabermos que há mudanças que vão exigir grandes sacrifícios. A decisão do Senhor Reitor da Universidade de Coimbra, de decretar o fim da carne de vaca nas ementas das cantinas da Universidade, é do tipo de decisões radicais que, de momento, não são bem-vindas. Porque é complexo e gera perturbação social. Em que é que se baseou o Senhor Reitor para tomar esta decisão? Não faltam estudos que mostram a importância do gado bovino na preservação de ecossistemas, no combate à desertificação, na obtenção de estrume para a agricultura biológica, e é uma legítima fonte de rendimento para muitos agricultores. Agora temos os tratores e quando não tínhamos os tratores como é que lavrávamos as terras? Só falta agora acabar com o gado e os tratores, que também poluem, e quero ver como é que há agricultura para toda a população mundial. A palavra de ordem mais correta seria e será reduzir e gerir de forma mais equilibrada a sua criação e não cortar radicalmente com a criação de gado e com a sua carne na alimentação humana, onde desempenha ainda um papel importante. Para além desta, outras precipitações andam por aí, cabendo-nos refletir melhor e não embarcar acriticamente em modas e convenções.  

O que cada um poderá fazer melhor, neste momento, é fazer um exame de consciência sobre a forma como trata os bens do mundo e como se relaciona com o ambiente e a natureza. Abusamos de muitos recursos da terra, destruímos e desperdiçamos estupidamente muita coisa. Todos conhecemos valetas cheias de lixo, estaleiros ao ar livre que servem de lixeiras, buracos a céu aberto para onde se deitam animais mortos, tornando o espaço irrespirável, rios poluídos, paisagens devastadas, onde vemos a natureza a sagrar pelos golpes que o dito ser humano inteligente e bem educado, que tem a missão de ser bom administrador e cuidador da criação, lhe inflige.

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