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minhas notas

Estou espantado pela forma acrítica e leviana como estamos a importar e a assimilar costumes e tradições alheias à nossa cultura e ao nosso património humano, social, religioso e espiritual, de duvidoso interesse e valor, e pela forma como estamos a ceder à lassidão e ao desinteresse ou quase total indiferença face aos valores e à cultura em que sempre fomos educados e formados, que sempre considerámos a mais correta, a mais valiosa e digna para o bem e a realização das pessoas.

Com os meios de comunicação social, os inúmeros instrumentos tecnológicos que temos à mão e pela fácil e rápida mobilidade das pessoas, ganhou força o fenómeno da globalização. Os usos e costumes, as tradições e práticas, as culturas e hábitos de todos os povos passaram a ser conhecidos e partilhados por todos. Mas como seria de esperar, os povos mais poderosos e ricos mais facilmente se iriam impor aos povos mais pobres e menos poderosos. A globalização tem sido sabiamente conduzida por grandes grupos de interesses e por centros de poder que querem estender os seus tentáculos por todos os cantos do mundo. Uma série de ideias, de causas, de produtos, de modas e de manifestações culturais passaram a ser veiculadas com engenhosa comunicação e hábil manipulação, ganhando atenção e espaço em muitas sociedades humanas, a nível mundial.

Portugal não foge à regra. Anda por aí agora este fascínio, segundo dizem, pelo oculto, pelo místico, que, na verdade, de oculto e de místico não tem nada, não vejo que experiência misteriosa as pessoas fazem a não ser divertirem-se, mas divertimento não é misticismo, com grande influência americana, como é a sexta-feira treze e o Halloween, este com grande expressividade nas terras do tio Sam, processo liderado por algumas multinacionais e indústrias do «mistério», que argutamente vão conquistando cada vez mais adeptos para estas importadas atividades culturais. No nosso povo sempre persistiu alguma crença difusa por poderes estranhos e figuras bizarras e algum encantamento pelo desconhecido, mas nunca ao ponto de se poder dizer que é uma marca clara da nossa cultura. Dizer o contrário é uma falácia. Sempre foi uma questão lateral e menor da nossa cultura portuguesa, da cultura do nosso povo, agora estranhamente ou habilmente promovida a grande tema da cultura popular.  

Como me custa ver dar tanto interesse a um tema menor da vida e não se dar o devido interesse às coisas importantes da vida, como é ainda a nossa cultura e a nossa formação cristã. Se se pede a muitos cristãos e a muitos pais cristãos que organizem alguma coisa na Igreja para enriquecerem e aprofundarem a fé dos filhos, é notório o alheamento, o desinteresse, a desistência, o forçamento, a indolência. No entanto, quando se trata de participar e organizar estas americanizações que nos andam a impingir, há um entusiasmo, um interesse e uma desenvoltura que nem um gato tem. Quando se pede a muitos, que ainda se dizem cristãos, que apostem mais na sua formação e na descoberta da beleza da sua fé, reina a procrastinação e a apatia. No entanto, quando se trata de saber historietas e lendas de figuras imaginárias, há um forte empenho e uma supina dedicação.

Não sou contra o divertimento das pessoas e, diante do avançado e avassalador processo de globalização a que estamos a assistir, seria ingénuo pensar que estas coisas mais tarde ou mais cedo não passariam por aqui, o que eu não acho bem é que nós não tenhamos o mesmo empenho e determinação para as coisas mais importantes do que estas, como é a formação e a vivência da fé, o compromisso com a Igreja, a formação cristã e a vida cristã dos jovens e das crianças, a educação humana e moral, a curiosidade e o apreço pela nossa cultura cristã. A troco disto, andamos para aí atrás de fantochadas galhofeiras e pagãs, que divertem, mas não trazem nada de belo, de sábio, de profundo e consistente à vida.

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