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minhas notas

Católicos Hipócritas e a Legalização da Prostituição

24.01.19 | minhasnotas

1.Anda por aí muito citada, sobretudo em artigos da imprensa e em publicações do Facebook, uma afirmação que o Papa Francisco não proferiu. Segundo é citado, o Papa terá dito que prefere «bons ateus do que maus católicos ou católicos hipócritas.» Na homilia matutina do dia 23 de fevereiro, o Papa Francisco disse o seguinte: «O escândalo é dizer uma coisa e fazer outra; é a vida dupla. Um exemplo? Eu sou muito católico, vou sempre à missa, pertenço a esta associação e àquela; mas a minha vida não é cristã, não pago o justo aos meus empregados, exploro as pessoas, faço negócios sujos, lavagem de dinheiro. Esta é uma vida dupla. Infelizmente, muitos católicos são assim e escandalizam. Quantas vezes ouvimos no bairro ou noutras partes: «Mas ser católico como aquele, é melhor ser ateu». Eis o escândalo».

Como acabámos de ver, o Papa não diz, cita. Diz que se diz no bairro. Usa a expressão para aflorar melhor a sua reflexão, mas jamais a faz sua. Serve-se dela para nos chamar a atenção do abominável escândalo que é dizer-se católico e depois não o ser na vida, vivendo-se na duplicidade e na hipocrisia, estados de vida indignos para um bom católico. O Papa nunca poderia dizer que é melhor ser ateu do que um mau católico, sabendo perfeitamente que os fiéis da Igreja Católica são imperfeitos e não são santos à força. Um Papa não pode preferir bons ateus a maus crentes. Só faltava então ser o Papa dos ateus! Pela afirmação, até parece que os ateus são todos bons e não são hipócritas, o que não se verifica.

Os persistentes detratores da Igreja Católica, os que inventam permanentemente desculpas para não irem à Igreja e aqueles que passam a vida a dizer que vivem rodeados de uma corja de hipócritas e mendazes, precipitaram-se logo a citar erradamente o Papa e a usar irrefletidamente a expressão para lançarem acusações, claro, pouco olhando para si mesmos. Quem é que é totalmente transparente na sua vida, praticando tudo o que diz e mostrando tudo o que sente? Quem pode dizer com verdade que já não teve momentos de hipocrisia na sua vida? Infelizmente, a hipocrisia e a duplicidade podem-nos tocar a todos. Não se trata de ser ateu ou de ser católico. Em vez de lançarmos esta censura fácil, farisaica, maniqueísta e populista aos católicos praticantes, tão do nosso agrado, lembremo-nos de que a integridade e a coerência de vida exige conversão permanente e é trabalho de cada dia e de uma vida, de que ninguém se pode livrar.

2.Quando o país passa por momentos de alguma pacificação e o andamento da economia deixa de ser tão preocupante, a tal agenda «fraturante» vem à tona. Não tenho nada contra. Não há que ter medo de discutir seja o que for, por mais controverso que seja. Não é bonito de ver é o ar convencido de alguns grupos ou fações, que se acham superiormente donos do progressismo da sociedade, acusando como antiquados e obscurantistas quem não concorda com eles ou elas. Em nome de «grandes progressos» sociais, podem-se estar a cometer grandes disparates. Não sei se alguma vez se virá a legalizar a prostituição, mas espero que jamais aconteça. Há dois argumentos que para mim são intransponíveis: vender a sexualidade, que é parte integrante da pessoa humana, nunca pode ser uma forma de ganhar a vida. É humilhante e indigno. Por outro lado, a prostituição reduz a mulher a uma máquina de sexo, um objeto sexual, é uma sórdida instrumentalização da mulher, rebaixada a uma simples fêmea, fonte de prazer fugaz para o machão, o que é um grave atropelo dos direitos humanos e um grande desrespeito pela dignidade humana. E tem razão Pedro Vaz Patto, num artigo do jornal Observador, quando escreve: «Quando se fala na legalização da prostituição como se de um qualquer outro trabalho se tratasse (o “trabalho sexual”), como um “trabalho” que sempre existiu e sempre continuará a existir, ninguém certamente pensa nas suas filhas, pensa sempre nas filhas dos outros…».

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