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minhas notas

19.07.22

Há dias, no seu habitual espaço de opinião no Expresso, a Senhora Isabel Moreira desabafava como é penoso ver vir sempre ao de cima o rançoso discurso defensivo contra as mulheres, quando estas se aproximam de cargos que tradicionalmente têm sido ocupados pelos homens. É o que se tem passado com a eleição do novo presidente da Assembleia da República. As duas personalidades portuguesas que têm sido apontadas são a Senhora Edite Estrela e o Senhor Ministro Augusto Santos Silva. Rapidamente a artilharia antiaérea dos homens se pôs em ação: “ele tem mais autoridade”, “ele inspira mais respeito”, “ele é mais consensual”, enfim, impera sempre o velho mundo normativo, social e político dos homens. Dou toda a razão à Senhora Isabel Moreira, e, de facto, é angustiante e deprimente ver uma mulher ser diminuída diante de um homem com esta soberba argumentação. Que eu saiba, a autoridade e o respeito é uma questão de competência, de formação humana e de educação, e não uma questão de sexo.

Lembrei-me da argumentação que escuto de muitos fiéis cristãos, quando vem à baila, por exemplo, o sacerdócio das mulheres. Se muitos homens preferem o silêncio ou o sorriso expectante ou indiferente, para espanto meu, a maior resistência que vou escutando é das mulheres, algumas até argumentando que a Igreja e a religião perderiam a sua credibilidade. Uma mulher no altar? Nem pensar! Qual a justificação? “Isso é para os homens, um homem mete mais respeito”. Fico boquiaberto diante de tamanha indigência argumentativa, a pensar no respeito que as minhas avós tinham e impunham, e na excelência e credibilidade de muitas professoras que tive. E constatando como é mais fácil mover montanhas do que mudar mentalidades e preconceitos.

Homem e mulher são diferentes. Têm aptidões e características díspares. Mas têm a mesma dignidade. As mulheres têm sido das grandes injustiçadas da história. Já se têm feito alguns progressos sociais, como equiparar os ordenados entre homem e mulher, mas, infelizmente, continuam ainda a ser subvalorizadas, desprezadas e discriminadas sem qualquer fundamento. A Igreja, lentamente, também já vai dando alguns passos, nomeando mulheres para cargos com algum relevo, por ação do Papa Francisco. Em muitos setores, elas são a força motriz da Igreja. Mas há muito a fazer. Se a Igreja reclama para si que gosta de ser pedagógica, então faça, quanto antes, por promover como deve ser a dignidade da mulher, abrindo os olhos a muitos cegos.  

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