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minhas notas

Entrevista de António Guterres ao Público

23.07.09 | minhasnotas

António Guterres, 60 anos, ex-primeiro-ministro português, é há quatro anos o alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Está a fazer aquilo que queria fazer nesta altura da vida. Veio a Lisboa receber o Prémio Internacional Calouste Gulbenkian.
Li recentemente no Guardian um artigo seu em que faz a seguinte afirmação: "A mesma comunidade internacional que se sentiu obrigada a gastar centenas de milhares de milhões para salvar o sistema financeiro devia também sentir-se obrigada a salvar as pessoas que estão neste grau desesperado de necessidade." É uma afirmação duríssima.

Não tem medo de ser acusado de demagogia?

Não peço que seja gasto o mesmo dinheiro que foi gasto para salvar o sistema financeiro. Se o fizesse seria demagogo. O que peço é que seja dada a mesma atenção aos problemas humanos que é dada aos problemas financeiros. Porque, se isso for feito, não tenho dúvidas de que serão adoptadas estratégias de prevenção e de apoio à solução de conflitos que evitarão que muita gente venha a encontrar-se nas situações dramáticas com que tenho convivido. E porque, se isso acontecer, os recursos à disposição dos que estão envolvidos em operações humanitárias à escala global poderão, ao menos, cobrir uma grande parte das necessidades mais dramáticas que ainda estão sem resposta.

Está a dizer que não há essa atenção.

Isso é evidente. Se reparar, verifica que o financeiro recebe sempre mais atenção que o económico, o económico mais atenção que o social e o social mais atenção do que o humanitário. Dramas humanitários como os que se vivem na República Democrática do Congo ou na República Centro-Africana estão hoje completamente esquecidos do debate internacional e nesses países continua a haver milhares e milhares de pessoas que morrem indevidamente ou que são vítimas das mais graves violações dos seus direitos, permanecendo a impossibilidade de fazer frente a estas situações.

 

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