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minhas notas

04.01.22

Foi uma pena que a Palavra de Deus não continuasse a ser debatida nos programas de televisão e nas redes sociais, depois da polémica que se levantou sobre a leitura de S. Paulo, que falava da “submissão” das mulheres aos homens. O domingo teria outro encanto se passássemos a debater as leituras dominicais nos areópagos contemporâneos, ainda que, por vezes, néscios, precipitados, tribalistas e coléricos, e escrevo sem ironia. Pelo menos levaria as pessoas a lerem a Palavra de Deus e a descobrirem a maravilhosa mensagem que ressuma dos seus textos, que marcou profundamente a nossa cultura ocidental. Da polémica ficaram claras duas constatações: anda por aí muito simplismo e superficialidade no debate dos assuntos, ao sabor da indignação instantânea, fácil e popular, onde há emoção a mais e racionalidade a menos; e há, sobretudo, uma grande iliteracia bíblica na sociedade e dentro da Igreja. Depois da labareda inflamada da indignação e da discussão, quem terá tido o cuidado de ler os bons artigos que esclareceram o texto? Quantos ignorantes se retrataram e refizeram os danos das baboseiras que disseram? Devíamos ter mais determinação em aprofundar os assuntos e termos mais respeito pela verdade. Só que isso, hoje, não interessa.

A mim, enquanto padre, preocupa-me, sobretudo, a iliteracia bíblica que ainda reina dentro da Igreja, principalmente de muitos leigos. Penso que, nas paróquias, a Igreja deve relançar e apostar seriamente no ensino da Sagrada Escritura, levando o povo de Deus a redescobrir o admirável tesouro da Palavra de Deus, a saber a sua história, a saber interpretá-la e compreendê-la, para grande vivência espiritual, mas também para saber falar dela na sociedade. As leituras de domingo e a respetiva homilia são insuficientes para se ter formação bíblica. Aliás, embora por lá possa passar, a homilia não é um espaço para pacientes exegeses bíblicas. Promoveu-se na Igreja uma cultura de piedade muito centrada nos sacramentos, nas celebrações cultuais e nas devoções, e ficou para trás a formação bíblica dos crentes, que é decisiva para o testemunho, a evangelização e a maturidade cristã. Ensinar Bíblia dá trabalho, é mais fácil centrar a vida da Igreja na liturgia, no “amor a Nosso Senhor”, mas o amor a Nosso senhor passa primeiro por ouvir, estudar e compreender a sua Palavra, sem a qual não há uma relação séria, verdadeira e fecunda com Deus. A riqueza da Bíblia não pode ser um privilégio de académicos ou de uma elite erudita.

04.01.22

Não tenho uma visão negativa da natureza humana, até porque acredito, pelos relatos bíblicos, que tudo foi feito com o cunho da bondade de Deus, e Jesus sabia sempre despertar essa bondade nas pessoas com quem se relacionou e encontrou. Mas também vejo que a natureza humana é imperfeita e tem requintes de malvadez e crueldade surpreendentes. Temos uma arte dentro de nós, que gostamos de praticar de vez em quando, que é a arte de infernizar a vida aos outros, com perseguições, provocações e humilhações. Arte que se pode aprender a exercer dentro da família, como continuamente desvalorizar ou desprestigiar o outro, não lhe reconhecendo nenhum valor. Aliás, como sabemos, a família é onde se fazem das mais belas experiências de vida, mas também pode ser o espaço onde se fazem das mais dolorosas, inolvidáveis para o resto da vida.

Em tempos, lembro-me de um testemunho de Frei Bento Domingues onde contava como a sua família olhava para ele com muita desconfiança. Os irmãos rapidamente encaixaram num ofício, dele dizia-se que não tinha jeitinho nenhum para nada, o que seria dele! Recentemente, numa entrevista ao Expresso, o grande ator Anthony Hopkins, galardoado este ano com o óscar de melhor ator, afirmava que o pai “não evitava dar-nos ‘facadas’. Já quando eu era garoto, disse-me que eu era um inútil e que não sabia o que iria ser de mim”. Nem imaginavam as suas famílias como estavam rotundamente enganadas. Como padre, recebo algumas queixas de filhos em relação aos pais, expressando que foram vítimas, durante alguns anos, de violência física, verbal e psicológica de pais que tinham pouca estima e consideração por eles. Violência que moldou a sua personalidade e forma de estar na vida, sentindo inutilidade, insignificância, pouca confiança em si mesmos e uma baixa autoestima. Tudo isto talvez se possa chamar bullying parental, que deixa marcas profundas para o resto da vida.

Imagino, numa fase da vida tão delicada como é a adolescência e a juventude, o que será crescer a ouvir continuamente “não vais prestar para nada”, “não tens jeitinho nenhum para nada”, “vais ser um falhado”, “vais ser um triste”, e tantas outras afirmações estúpidas que inventámos para desclassificar os outros, sabendo perfeitamente que todas as pessoas têm dons, habilidades e talentos. Que dentro da família não se deixe de prestar atenção a este bullying parental, que jamais deveria existir. Ajudemos a florir o bem e a riqueza que cada ser humano tem dentro de si.

04.01.22

Está-se a criar o costume de se assinalar as etapas da instrução escolar, por muito curtas e incipientes que ainda sejam. Vemos muitas crianças e jovens a exibirem orgulhosamente um diploma ou uma lembrança com a etiqueta finalista, e uma boa parte das escolas organizaram a festa dos finalistas, até para os jardins de infância. É manifestamente exagerado. Parece-me é que os verdadeiros finalistas, que merecem de facto uma grande homenagem, são os grandes esquecidos dos tempos atuais, como é o caso dos mais velhos, que já estavam a pagar uma dura fatura antes da pandemia e continuam a pagar uma pesada fatura na pandemia.

Muitos praticamente nunca tiveram uma festa de reconhecimento do seu trabalho, por muito humilde que tenha sido, durante a vida. Trabalharam imenso e só Deus sabe em que condições, não tiveram nem de longe nem de perto a abundância, o conforto e as regalias que as atuais afortunadas gerações têm. Lutaram e trabalharam até à dor pela sua vida e pela dos filhos, foram os grandes obreiros do mundo em que vivemos. Em troca, têm recebido penosas horas de abandono e esquecimento, sem voz, marginalizados por um mundo que não tem tempo para eles nem quer saber das conquistas deles. Uma boa parte deles vive na solidão, outros foram retirados de suas casas por filhos que os querem ver arrumados num canto qualquer, em nome de vidas mais cómodas e egoístas, onde ninguém está para aturar ninguém, onde o sentido de dever já se perdeu e os afetos mais sagrados de sagrado já não têm nada. Resta-lhes acabar a vida amargurados e tristes porque já são um peso para os filhos e para a sociedade. Estão no fim, os verdadeiros finalistas, de uma vida honrada, dedicada, trabalhosa, árdua, lutadora, frutuosa, mas ninguém vai a correr para ao pé deles para lhes fazer uma festa e lhes mostrar carinhosamente como eles ainda são importantes e merecem toda a atenção e gratidão. Estão completamente votados ao esquecimento e vergados à mais completa inutilidade.

Um bom número de velhos está reduzido a uma multidão anónima de quem ninguém se importa, e é bom que continuem escondidos porque hoje, veja-se lá, numa sociedade de gente muito sensível, não se pode ver a doença, a fragilidade, a caducidade da vida humana, a epiderme rugosa e granítica da velhice, os músculos escanzelados de um velho, é melhor mascarar a vida, fazer de conta tontamente que isso não vai aparecer na vida e fingir que nunca nos vai acontecer. Nunca vamos ser velhos.

04.01.22

Foi pena que a discussão sobre a disciplina escolar de Cidadania e Desenvolvimento tenha sido arrastada para algum radicalismo desnecessário e para os velhos lugares comuns esquerda/direita ou conservadores e progressistas, quando não era nada disso que estava em causa. Aliás, hoje começa a ser desesperante o facto de não se conseguir discutir nenhum assunto sem bipolaridade argumentativa radical, como que se tudo se resuma simploriamente ao favor e ao contra estanques.

Podia-se ter aproveitado, por exemplo, para se discutir até onde vai o poder e o direito dos pais sobre a educação dos filhos e qual o melhor manual de educação que os pais devem seguir. Não é um poder e um direito absolutos. Se um pai resolver tirar os filhos da escola para os colocar ao serviço do negócio de casa (quantos não conhecerão esta realidade?), tem esse direito? E tem direito a impor uma educação férrea em casa, num claro mimetismo dos pais, sem qualquer respeito pela autonomia e a liberdade dos filhos? Assim como se poderia ter aproveitado para se discutir o que compete ensinar à escola. Caberá ensinar à escola todo o tipo de orientação sexual, sem qualquer fundamentação científica, ou apenas ensinar a educação sexual básica?

Nunca esteve em causa a existência da disciplina de Cidadania, aliás, como é que poderia estar em causa numa sociedade de cidadãos? Tem toda a razão de ser e de fazer parte do currículo escolar. O que está em causa são alguns conteúdos da disciplina, que, de facto, merecem muitas reservas, como é o caso da ideologia de género que está muito presente na educação sexual da disciplina. Até prova em contrário, foi preciso chegarmos ao século XXI para se produzir uma das mais aberrantes teorias sexuais, que afirma que ninguém nasce masculino ou feminino, tudo isso é uma construção social, e que se pode trocar entre masculino e feminino, independentemente dos órgãos sexuais. A nossa imaginação é surpreendente. Há alguma necessidade de se andar a ensinar e a espalhar estas pseudoteorias na escola, lançando-se uma profunda confusão e perturbação nas crianças e jovens?

A escola deve servir acima de tudo para ajudar a pensar sem pressa de impor nada, de formar cidadãos livres, com espírito crítico, que sabem pensar e adquirir conhecimento, agir sempre com inteligência e responsabilidade, e não para domesticar meninos e meninas para os interesses de grupos, doutrinar com modas sociais ou formulações ideológicas de duvidosa certeza e progresso.

04.01.22

Já estão eleitos democraticamente aqueles que o povo encarregou de gerir, em nome do povo e para o povo, a vida política das comunidades, sejam as autarquias, sejam as juntas de freguesia, com as respetivas assembleias. Cabe a todos os cidadãos respeitar os eleitos e, liderados por eles, trabalhar em conjunto pelo futuro e progresso das nossas terras, a solução dos problemas e dificuldades que mais afetam as populações, e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Merecem a minha admiração os eleitos, que se dispõem, agora, a trabalhar pelos outros e pelo progresso das nossas regiões e a melhorar o bem-estar das pessoas que os elegeram. Merecem de todos os cidadãos o devido respeito e consideração. Como tudo na vida, os políticos não são perfeitos e não têm todas as soluções perfeitas para todos os problemas. Não estarão, claro, isentos de crítica e do escrutínio por parte dos cidadãos nas suas decisões e na sua atuação. Mas que a crítica, que seja feita, seja construtiva. Sabemos que a política tem alguns maus vícios, que os atores políticos tardam em debelar, e muitos políticos são contumazes nas suas errâncias, mas são, muitas vezes, exageradamente e injustamente criticados. Não são os únicos culpados por todos os males que nos acontecem. Muitos cidadãos também fazem muito pouco pelas suas terras e pelo bem comum de todos.

Servindo-me das palavras recentemente proferidas pelo atual Bispo de Lamego, D. António Couto, os cidadãos esperam “que os eleitos não pensem que são promovidos, não são. Ficam a ser servos, mais servos ainda. Servos inúteis que não querem ser senhores. Um servo inútil só serve para servir, não para um dia seguir a tentação de querer ser Senhor.  Espero que os eleitos não pensem que são promovidos, mas sejam servos”. Que não se instale a malfadada cultura do «eu quero, posso e mando», que, como afirma D. António, “é normalmente o que se passa, sejam quais forem as figuras e os partidos”. Que aos políticos agora eleitos não lhes suba o poder à cabeça, não se ornem com tiques, zumbaias e salamaleques de senhores importantes, e não olhem para os cargos que têm como uma honraria, uma distinção ou um troféu, como postos para o prestígio e a vaidade pessoal. São e devem ser sempre simples servidores do povo, sem quererem ser donos e senhores de nada nem de ninguém. E que exerçam o seu serviço com humildade, dedicação, afeto, inteligência, visão, estudo, responsabilidade, competência, educação, transparência e isenção.

04.01.22

O Parlamento português pretende levar avante a aprovação da inseminação artificial post mortem. Uma mulher passa a poder engravidar do seu parceiro ou marido falecido. É uma lei que levanta muitas questões éticas. Os principais especialistas nestas matérias deram pareceres negativos. Foram emitidos dez pareceres desfavoráveis. É estranho verificar como, apesar desta unanimidade das autoridades no assunto, o legislador avançou com a proposta e aprovação da lei. Grande lição de democracia!

Como muito bem diz a Associação dos Médicos Católicos Portugueses, «não nos é alheia a dor experimentada por uma mulher com a morte do marido, bem como o seu desejo natural de ter dele um filho. Porém, para responder a esta compreensível, porém, impossível vontade, este projeto de lei permite que uma criança seja artificialmente concebida, instrumentalizada, de forma a satisfazer-se um desejo de uma mulher adulta».

O mundo atual tem como noção de felicidade a concretização de todos os sonhos e desejos, mas, na vida real, nem todos os sonhos e desejos são aceitáveis e se podem realizar. Há desejos e sonhos inaceitáveis. Está em jogo outra pessoa humana, que tem a sua dignidade, e que, de forma premeditada, nunca vai ter e conhecer o pai. Penso que jamais alguém deve ter o direito de tirar esse direito a outra pessoa. Uma criança não deve ser arrastada, quem sabe, para um luto mal gerido, ou ser instrumentalizada para se realizar egoisticamente um capricho ou uma obsessão, ou prestar uma homenagem a um falecido. Tudo isto é um grave atentado à dignidade da pessoa humana.

Não deixa de espantar como é que a suprema regra do superior interesse da criança, escrupulosamente respeitada e adorada nos atuais códigos legislativos e nas contendas familiares e jurídicas, neste caso é completamente desvalorizada. Achamos normal gerar uma criança a quem, de forma concertada, não vamos permitir ter e conhecer o pai? Achamos que isso não tem qualquer relevância para o crescimento e estabilidade humana, afetiva e social da criança? Não corremos o sério risco de estarmos a criar um fantasma que pode marcar indelevelmente a psicologia de uma pessoa humana e gerar um drama insuperável?

Não se entende a criação de uma lei destas, que se reveste destas perplexidades e desta sofisticação ética. E vejo com preocupação o estilhaçar da família tradicional, que ainda ninguém provou não ser o melhor espaço e ambiente para se crescer bem como pessoa humana, com um pai e uma mãe.

04.01.22

É interessante notar os vários rumos que estamos a dar às nossas leituras da história. Se antes o fazíamos com orgulhosa exaltação, contando afetadamente as tremendas façanhas dos nossos ilustres antepassados, agora estamos a ser convidados a ter vergonha da nossa história, pelos abusos e excessos que foram cometidos contra povos e culturas. Está-se a impor a visão histórica do ressentimento e do remorso, a leitura da história por aquilo que ela devia ter sido e não por aquilo que ela foi. O que nos vai levar a um injusto, insano e despropositado exercício do labor intelectual: reinscrever a história e julgá-la segundo os critérios, os valores e os padrões éticos e sociais da sociedade atual. O revisionismo histórico nunca acaba bem.

Esperando-se que esteja bem escrita e bem contada, a história é a história. Está feita, segundo cada mentalidade, cada tempo e cada contexto, com homens e mulheres com virtudes e defeitos, com grandeza e devassidão, com heroicidade e covardia, com luzes e sombras. Cada homem e cada mulher agiu segundo as suas circunstâncias e dentro de conjunturas muito diferentes das nossas, procurando dar o seu melhor pelo progresso humano, económico e social do mundo até chegarmos aos níveis em que hoje nos encontramos. Não faz qualquer sentido e é um lamentável ato de estupidez querermos hoje que há muitos séculos atrás já tivessem o nosso desenvolvimento humano e ético e julgar as grandes figuras da nossa caminhada histórica por aquilo que hoje consideramos inaceitável, desprestigiando e deitando ao esquecimento os grandiosos contributos que essas figuras deram à nossa admirável saga coletiva e ao mundo.

Se a legítima luta antirracista vai por aqui, vai muito mal. Espero que os historiadores não se entreguem agora à construção de julgamentos e narrativas históricas enviesadas e distorcidas para se levar a história para aquilo que hoje mais nos convém. O racismo resulta de preconceitos estultos, que não têm qualquer justificação, e sobretudo de uma profunda falta de educação e de formação humana nas pessoas. Se o queremos combater, temos de investir na educação dentro da família, na escola e na sociedade, promover a convivência e o encontro de povos e culturas, e não com violência ou insultando a nossa história e as suas grandes figuras. O branco, por norma mais rico e desenvolvido, sempre se julgou superior diante do negro. Há que acabar com esta altivez e promover a igualdade e respeito por todo o ser humano.  

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