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minhas notas

04.07.09

Cristiano Ronaldo transferiu-se para o Real Madrid, numa operação recorde quantos aos números. Dois apontamentos: o mesmo jornalismo que ansiava pela transferência, alimentando-a com todo tipo de boatos há muito tempo, após a transferência, lançou-se a escrever e a questionar os números, sabendo que mais euro menos euro, andaria por ali. Já se percebeu o que interessa a muita imprensa: polémica e ruído. Este vende, e não é pouco. Segundo apontamento: o futebol caminha a passos largos para o imperialismo internacional de seis ou sete clubes, que sozinhos concentrarão os cinquenta melhores jogadores do mundo. Assim, o futebol começa a perder muita da sua graça e encanto

04.07.09

Pinto da Costa é um dirigente incontornável no futebol português. Nas últimas décadas desenvolveu uma actividade quase insuperável, catapultando o Futebol Clube do Porto para o lugar cimeiro do futebol português e o mais digno representante do futebol português no panorama internacional. Os resultados estão à vista e são poucos os dirigentes desportivos que se podem lisonjear de um currículo ímpar como o de Pinto da Costa. Contudo, está-lhe a faltar algo das almas grandes: saber perceber que já não devia estar no lugar que ocupa. E digo isto não por ligação ao caso apito dourado. Não se provaram crimes gravíssimos. Digo-o por causa das muitas afirmações que tem proferido. Esperou por ser campeão e, de peito cheio, desatou a desancar em todos os seus adversários, com muita ironia e escárnio, como já é seu hábito. Já é notório que o homem está cego com o Benfica. Fala mais do Benfica do que do Porto. Dizer que gostaria de jogar no estádio da luz não é senão incendiar os ânimos, incentivar ao ódio entre clubes e contaminar o ambiente desportivo. Já é tempo do Futebol Clube do Porto perceber que Pinto da Costa não deveria estar à frente do clube. Não é porque ganha que tem direito a dizer tudo o que lhe apetece. O vencedor não está acima da ética e da moral. As vitórias não dão razão a ninguém, nem podem servir para justificar o que quer que seja. Mas como as vitórias servem para ir tapando os fracassos e o vazio da vida de muita gente e como os padrões morais do país andam muito por baixo, não é de estranhar que Pinto da Costa esteja à frente do Futebol Clube do Porto há tantos anos, e escrevo isto não tendo nada contra a pessoa, mas sim a forma como representa o Futebol Clube do Porto.

04.07.09

António Marinho e Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, anda na berra, granjeando de dia para dia admiradores, pela frontalidade e coragem com que diz aquilo que muito português pensa, mas não diz. Ainda há dias, em Amarante, onde deu uma conferência, vários apoiantes aprovavam a sua atitude, incentivando-o a continuar a dar “bengaladas” e a pôr os pontos nos ii como o tem feito até aqui. Há um desporto que todos admiramos em Portugal: ver bater em tudo e todos, nomeadamente nos políticos, nos empresários, nos dirigentes, nos serviços públicos, na organização do país, e por aí fora, muitas vezes sem razão nenhuma. Como somos um povo cordato e, por norma, medroso na hora de falar, admiramos os que o fazem. Preferimos ser ruminantes no silêncio. Aliás, damo-nos muito mal com a frontalidade. Defensores do “velho respeitinho”, consideramo-la quase má educação e deselegância. É mais bonito pensar uma coisa e dizer outra. Dizer o que se pensa em oposição ao outro, discordar e dizê-lo, é, para muitos, quase uma ofensa, o que não é nem de longe nem de perto. Na nossa educação ensinamos que se deve ser sincero, mas até certo ponto, não vá a pessoa ficar ofendida…A frontalidade, ou se quisermos, a sinceridade é uma virtude e todos a devíamos cultivar. Neste aspecto, Marinho e Pinto tem sido exemplar. Já se percebeu que diz o que pensa, sem medo, não tem papas na língua, como diz o povo, embora cometa alguns excessos. Se tem razão em tudo o que diz não sei, mas em algumas coisas parece ter muita razão, pela reacção que provocou. É um exemplo a seguir contra o marasmo do “deixa andar” muito à portuguesa.

Contudo, desde a primeira hora que considero questionável a forma como se posicionou em relação à sociedade e aos problemas. Estes se existem no país e nas instituições não é só devido à incompetência de uns poucos, que certamente não podem de deixar de ter as suas culpas no cartório. Dividir a sociedade entre competentes e incompetentes, ou entre bons e maus, colocando-nos nós sempre do lado dos bons, como se connosco fosse tudo um mar de rosas, é errado. O país que temos é da responsabilidade de todos. O que é que cada cidadão faz em concreto para melhorar o seu país? Dois exemplos: Marinho e Pinto tem-se desdobrado em críticas ao funcionamento da justiça. É verdade, a justiça parece não funcionar bem. E que dizer do cidadão que vai a tribunal por tudo e por nada, até com as coisas mais irrisórias e insignificantes, atafulhando os tribunais com casos que a inteligência tinha obrigação de dirimir? Que dizer do cidadão que fervilha por uma oportunidade para humilhar alguém diante de um juiz? Se a justiça está como está, todos temos culpa. Promoveu-se um cultura de direitos e só direitos e está-se a ver no que deu: as pessoas multiplicam-se em exigências atrás de exigências, só pensam no bem delas, nem que para isso tenham de andar de conflito em conflito. Segundo: a sua discussão acesa com Manuela Moura Guedes deliciou o país durante alguns dias. Face a algum jornalismo truculento e excessivo daquela, em algumas situações com alguma razão, Marinho e Pinto encarregou-se de a pôr na ordem. Os excessos do jornalismo são visíveis todos os dias. O jornalismo perfeito nunca o teremos. Mas uma coisa é certa: mal da sorte quando tivermos um jornalismo mansinho e ordeiro, que não estuda, que não investiga, que se está a marimbar para a verdade dos factos e que não se paute pela isenção e pela independência. A sociedade, nas suas ideias, sentimentos e intenções, não é assim tão cândida e pura, como, por vezes, se quer fazer passar. Em muitos casos, das palavras aos factos vai uma grande distância. Ao jornalismo caberá sempre o direito de analisar, esmiuçar e questionar, desmontar cenários que são areia lançada para os olhos do mundo.

03.07.09

Infantilidade adulta

 

“Faça você mesmo!” O slogan é conhecido e, em certa medida, até dá jeito… Mas aplicá-lo à fé é um desastre! Quem o disse foi o Papa, com sua habitual frontalidade, citando São Paulo: muitos consideram que ter uma fé adulta é não ouvir a Igreja nem os seus pastores, mas escolher o que lhes apetece ou não acreditar. Mais: este género de católicos diz ter a “coragem de se exprimir contra o magistério da Igreja”. Só que, na realidade, para isso não é preciso coragem porque está garantido o elogio público. Coragem sim – lembra o Papa – têm aqueles que aderem à fé da Igreja mesmo quando esta contradiz os esquemas do mundo. Esta é a fé que interessa. O oposto disto é ser infantil – conclui Bento XVI – é andar ao sabor das correntes da moda e ser levado para aqui e para ali por quaisquer ventos de doutrina… Realmente, tantos adultos à nossa volta e tão infantis que eles são!

 

                                                  Aura Miguel , Rádio Renascença

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