Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

 

Sem alarmismos:

 

Orientações dadas pela Direcção Geral de Saúde

1. Lavar as mãos com água e sabão com muita frequência

2. Se tossir ou espirrar, cobrir a boca e o nariz com um lenço de papel, a deitar fora de imediato.

3. Se ficar doente, permanecer em casa.

4. Evitar o contacto com pessoas com gripe.

Nas Igrejas:

1. Os fiéis que recebam a comunhão na mão e não na boca.

2. O abraço da paz deve ser reduzido a um pequeno sinal ou inclinação da cabeça sem o contacto físico.

3. Não usar a água benta para se benzer. 

 



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Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

António Guterres, 60 anos, ex-primeiro-ministro português, é há quatro anos o alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Está a fazer aquilo que queria fazer nesta altura da vida. Veio a Lisboa receber o Prémio Internacional Calouste Gulbenkian.
Li recentemente no Guardian um artigo seu em que faz a seguinte afirmação: "A mesma comunidade internacional que se sentiu obrigada a gastar centenas de milhares de milhões para salvar o sistema financeiro devia também sentir-se obrigada a salvar as pessoas que estão neste grau desesperado de necessidade." É uma afirmação duríssima.

Não tem medo de ser acusado de demagogia?

Não peço que seja gasto o mesmo dinheiro que foi gasto para salvar o sistema financeiro. Se o fizesse seria demagogo. O que peço é que seja dada a mesma atenção aos problemas humanos que é dada aos problemas financeiros. Porque, se isso for feito, não tenho dúvidas de que serão adoptadas estratégias de prevenção e de apoio à solução de conflitos que evitarão que muita gente venha a encontrar-se nas situações dramáticas com que tenho convivido. E porque, se isso acontecer, os recursos à disposição dos que estão envolvidos em operações humanitárias à escala global poderão, ao menos, cobrir uma grande parte das necessidades mais dramáticas que ainda estão sem resposta.

Está a dizer que não há essa atenção.

Isso é evidente. Se reparar, verifica que o financeiro recebe sempre mais atenção que o económico, o económico mais atenção que o social e o social mais atenção do que o humanitário. Dramas humanitários como os que se vivem na República Democrática do Congo ou na República Centro-Africana estão hoje completamente esquecidos do debate internacional e nesses países continua a haver milhares e milhares de pessoas que morrem indevidamente ou que são vítimas das mais graves violações dos seus direitos, permanecendo a impossibilidade de fazer frente a estas situações.

 



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O Papa Bento XVI publicou há pouco a sua terceira encíclica. O tema não é espiritual, como compete a líder religioso, mas económico. Este facto é chocante. A economia é a coisa mais negativa, maldosa, suja do nosso tempo. Aí estão todos os escândalos, misérias e crises da actualidade. O passado temia bárbaros, pestes, feiticeiros; hoje o mal é financeiro, político, empresarial. Sobre isto, que tem a dizer um homem de Deus, um guia espiritual?

"O amor -«caritas»- é uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz."(1).

Falar de caridade no meio da globalização e euforia bolsista, dos casos Madoff e BPN parece sarcasmo amargo. O Papa tem consciência do problema: "Estou ciente dos desvios e esvaziamento de sentido que a caridade não cessa de enfrentar (...) Nos âmbitos social, jurídico, cultural, político e económico, ou seja, nos contextos mais expostos a tal perigo, não é difícil ouvir declarar a sua irrelevância para interpretar e orientar as responsabilidades morais. Daqui a necessidade de conjugar a caridade com a verdade (...) A verdade há-de ser procurada, encontrada e expressa na «economia» da caridade, mas esta por sua vez há-de ser compreendida, avaliada e praticada sob a luz da verdade"(2).

A encíclica do Papa é uma visão nova e refrescante sobre os estafados debates do quotidiano. A solução que apresenta é simples: ser santo todos os dias: "Cada um encontra o bem próprio, aderindo ao projecto que Deus tem para ele a fim de o realizar plenamente"(1).


João César das Neves



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Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Acredito no Cristianismo tal como acredito que o sol sobe no horizonte: não apenas porque o vejo, mas porque com a sua luz vejo tudo o resto

 

 

                                                                                                            C. S. Lewis



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Terça-feira, 21 de Julho de 2009

Junho é chamado o mês dos santos populares. S. António, S. João Baptista e S. Pedro. Por muitas partes do país organizam-se, habitualmente, arraias e festanças em honra deles. A um chamam casamenteiro, a outro baptista e a outro pastor. Seria importante que os festeiros dos santos populares conhecessem a sua vida e obra, porque este ar adocicado, bonacheirão, estroina, popularucho não tem nada a ver com eles. S. António de Lisboa foi um franciscano austero e extremamente exigente consigo mesmo, pregador fluente e intrépido pela Europa, defensor dos pobres e oprimidos, estudioso incansável da Palavra de Deus, que norteou toda a sua vida. Pautou toda a sua vida por um profundo amor a Deus e aos outros. Na mesma continuidade, S. João Baptista é um exemplo primoroso de humildade, fidelidade á missão, amor incondicional à verdade, sinceridade e lealdade, testemunho profético. S. Pedro, depois de uma caminhada titubeante, após a ressurreição de Jesus, desprendido de tudo e de todos, assumiu o papel de apóstolo pelos caminhos do mundo, morrendo nas mãos dos romanos que começaram a perseguir os cristãos. Celebrar os santos tem muito mais do que se lhe diga do que comer uma sardinhada e dar umas marteladas. Porque de popular têm muito pouco.



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Todos os anos, nestes meses quentes de Verão, assistimos à realização de um dos acontecimentos mais marcantes na vida das pessoas e das famílias: o casamento. Por força do catolicismo tradicionalista que ainda permanece intacto em pais e avós, alguns ainda se vão celebrando na Igreja. Actualmente, é um acto que está mergulhado numa áurea de ambiguidades e confusões, e, como não podia deixar de ser, está um pouco desacreditado. O homem contemporâneo, paladino da liberdade individual e avesso à abnegação e ao sacrifício, olha para o casamento como algo que tira a liberdade (hedonisticamente falando) e que impõe um jugo que a médio e longo prazo não será fonte de felicidade para a pessoa humana. Em vez de ser visto como uma “entrega” para fazer feliz o outro e ser feliz com o outro, é visto como uma “sujeição” ao outro, com quem não se sabe se se vai ser verdadeiramente feliz. Não se demorou muito a criar caricaturas (ou até suavizações) do casamento, com forte promoção e tolerância social: as uniões de facto, as uniões que, de facto, não o são (arranjinhos amancebados) e por aí fora. A tónica é sempre a mesma: deixar tudo ao sabor da experiência, em forma de meio compromisso, com prazo de validade, fácil de descartar e partir para outra, ter o facilitismo sempre à mão.

Não deixa de ser caricato tudo isto. O que é apanágio do homem maduro é a capacidade de assumir e celebrar compromissos e responsabilidades até ao fim, dispondo-se a enfrentar as alegrias e as dores, sucessos e fracassos. Querer a beleza de uma rosa sem os espinhos é infantil. A grandeza do homem está na sua capacidade de doação e entrega sem calculismos e conjecturas centradas em si mesmo.

Em parte, aquela mentalidade nasceu devido ao facto de muita gente ter crescido num ambiente familiar e social onde o casamento não se vivia bem ou vivia-se com exageros. O pai era o “mandão” lá da casa, de vez em quando mostrava a sua força, a mulher sempre foi a “coitada” que sempre teve que se sujeitar a tudo e mais alguma coisa, liberdade ou permissão para isto ou para aquilo nem vê-la. A ideia de que tudo teria de ser diferente um dia, em contraposição à velha obrigação, foi ganhando cada vez mais cabimento. Embora também com as suas incongruências e excessos.

Mas considerações morais e sociais à parte, gostaria aqui de reflectir sobre as lacunas e exageros na forma como se celebram e vivem os casamentos nos tempos actuais, que, muitas vezes, mais não parecem que dias de exibicionismos, fotografias, copos e comezaina e não deveriam servir para ostentação de riqueza.

O desinteresse dos noivos na formação, em geral. Quando se diz aos noivos que deviam investir algum tempo em conhecer melhor a essência e a realidade do casamento e as suas exigências, fica sempre no ar a ideia de que lhes estamos a propor uma obrigação desnecessária. A muito custo, os párocos lá vão conseguindo algumas reuniões, que muitos noivos gostam de ver passar como gato sobre brasas. É incompreensível que assim seja. Quem se dispõe a celebrar um casamento na Igreja, tem o dever de conhecer a doutrina da Igreja sobre o matrimónio, a sua espiritualidade, seus direitos e deveres, os seus compromissos para com Deus e para com a Igreja. O casamento não é pura e simplesmente cumprir uma tradição ou viver um dia de festa irrepetível. É assumir um compromisso com Deus no serviço à vida e na constituição de uma comunidade de vida e de amor, que se chama família. E para isso é fundamental estar devidamente capacitado e não deixar tudo ao sabor da boa vontade e do improviso. Já agora deixo uma sugestão aos noivos que se vão casar pela Igreja neste Verão: vão lendo um documento ou um livro autorizado pela Igreja sobre a espiritualidade e a vivência do Matrimónio e se puderem ainda participar em algum CPM (Curso de Preparação para o Matrimónio), façam-no com interesse.     

 A celebração do matrimónio. É de ficar embasbacado como, em meia dúzia de anos, as pessoas deixaram de saber entrar numa Igreja e responder devidamente na Eucaristia. As pessoas esquecem-se de que a celebração do matrimónio é um momento de oração e que estão ali para rezar com os noivos e não pura e simplesmente para assistir a uma peça com dois actores. A indiferença e leviandade com que muitas pessoas estão na celebração é de bradar aos céus. Já nem falando dos tradicionais atrasos, que são uma falta de respeito pelas pessoas pontuais e pelo padre, que, muitas vezes, tem um horário apertado e não tem a obrigação de arcar com os desleixos dos outros, não se responde às interpelações do padre, não sabem quando se sentam ou quando se levantam ou quando têm de estar de joelhos, deixam andar os filhos em alegres correrias pelas coxias da igreja, tiram-se fotografias (que não o fotógrafo devidamente autorizado) sem qualquer respeito pelo andamento da celebração, entra-se e sai-se da igreja com maior das à-vontades, faz-se do momento da paz um momento de beijos e abraços, cochicha-se com o maior dos despudores. Ou seja, faz-se tudo o que não se devia fazer numa celebração. Claro que isto é fruto da pouca vivência e prática cristã de muitas pessoas, que as deviam rever seriamente. Celebrar o matrimónio é celebrar sempre o amor eterno e fiel de Cristo pela Igreja, do qual o amor dos noivos se torna sinal e símbolo. Amor com A grande. Por isso, exige-se que as pessoas que participem na celebração saibam estar com toda a dignidade diante do mistério que se está a celebrar e com uma atitude verdadeiramente participativa.

 O repasto do casamento. Como tudo na vida, o casamento é uma oportunidade de negócio para muita gente e é legítimo que assim seja, como legítimo é que se celebre com um banquete, que não é senão o prolongamento da comunhão da eucaristia. Mas não precisava de ser com alguns excessos. Um dia, por muito belo e importante que seja, não justifica tantos gastos, que melhor seria que fossem poupados para o futuro dos esposos. Não dá para compreender tantos pratos e tantas refeições seguidas, como se andássemos a compensar tempos de penúria. Isto para não falar no exibicionismo e competição entre famílias para ver quem faz um casamento superior. Como cristãos que somos, nada disto nos fica bem. Mais sobriedade e temperança vinham mesmo a propósito.

Estes meus reparos não quer dizer que todos os casamentos, que já celebrei ou de partilha de experiências com os colegas, foram assim. Muitos casamentos foram exemplares, tanto na formação, como na participação, e são realizadores para um pároco, que vê assim empenho e sente alicerces no nascimento de uma nova família. Mas um bom número deles provocaram-me um grande desconforto. Entre a juventude está-se a instalar um fenómeno de banalização do casamento, que urge corrigir e reorientar, não esquecendo as “despedidas de solteiro”, que deviam fazer corar de vergonha muitos dos que as fazem. Entre a emigração, que merecerá sempre um grande acolhimento, é notório que há um problema com a formação e a prática cristã, isto não generalizando. Também temos bons exemplos. Mas em muitas famílias é visível que não há pingo de vida cristã. Há que repensar e rever o que não está bem.


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Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Barack Obama esteve recentemente na Rússia, com a qual estabeleceu um acordo. Nos próximos anos, ambos os países irão reduzir o arsenal nuclear. Olhos nos olhos, Obama disse ao presidente russo (mas também não poderá deixar de ser para a nação americana):

 

 

   «O tempo em que os impérios podiam tratar os Estados soberanos como peças de xadrez já acabou.»

 

Sem dúvida, Obama continua a marcar pontos...


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Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

 
 
As festas

 
 
As festas populares, por estas bandas, são normalmente em honra de Deus ou de um Santo. As chamadas festas cristãs.
Então é preciso que não desdigam aquilo que afirmam. Que em tudo contribuam para o espírito cristão.
O centro, o cume, o coração de uma festa cristã é a Eucaristia. É para a Eucaristia da festa que o trabalho dos mordomos e das comunidades deve convergir com excelência. Criar um ambiente de silêncio, suscitar a participação das pessoas, cuidar da liturgia. Para que a Eucaristia seja a Festa na festa.
A Eucaristia está antes, muito antes, porque muito acima, de procissões, conjuntos, bandas, foguetes, jantaradas. A Missa é o centro!
Que sentido tem ficar cá fora à espera da procissão? E que respeito revelam para com o sagrado os que ficam a fazer barulho no exterior dos templos? Ou quem fica no café? Ou deixar-se ficar por casa a preparar o almoço para os convidados? Na vida temos que estabelecer prioridades. E neste caso, para os baptizados, a prioridade é a Missa.
 
 

A procissão é um acto religioso. E como tal deve ser encarado. Daí todo o respeito que lhe é devido. É preciso guardar silêncio, ter antecipadamente organizado tudo: quem pega nas alfaias, quem pega nos andores, onde vão as figuras (os anjinhos)… Tudo. Assim, quer o arranque da procissão quer o percurso decorrerão com o decoro e a serenidade exigidas.
As pessoas que vão pegar nas alfaias ou nos andores devem ir vestidas decentemente. Já viram a figura de alguém que vai de calções com uma opa por cima???
As procissões são para serem acompanhadas e não para se ficar no passeio a ver passar. Mas ao menos quem estiver a “ver a procissão” que esteja dignamente. Se não tiver fé, que revele respeito pela fé dos outros. Esteja de pé, não converse, muito menos fumar, mascar chiclets…
O que é bem feito a Deus louva e aos homens engrandece.
 
 

A preparação e cuidado das festas pertencem naturalmente aos mordomos. Mas não só. Toda a comunidade se deve sentir envolvida. Especialmente incentivando-se mutuamente à participação nos actos religiosos. Depois chamando educadamente à atenção aqueles que têm palavras, gestos, posturas menos condignas.
 
 

    Texto retirado do blog Asas da Montanha



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Domingo, 5 de Julho de 2009

 

 



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Sábado, 4 de Julho de 2009

 

 



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Cristiano Ronaldo transferiu-se para o Real Madrid, numa operação recorde quantos aos números. Dois apontamentos: o mesmo jornalismo que ansiava pela transferência, alimentando-a com todo tipo de boatos há muito tempo, após a transferência, lançou-se a escrever e a questionar os números, sabendo que mais euro menos euro, andaria por ali. Já se percebeu o que interessa a muita imprensa: polémica e ruído. Este vende, e não é pouco. Segundo apontamento: o futebol caminha a passos largos para o imperialismo internacional de seis ou sete clubes, que sozinhos concentrarão os cinquenta melhores jogadores do mundo. Assim, o futebol começa a perder muita da sua graça e encanto


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Pinto da Costa é um dirigente incontornável no futebol português. Nas últimas décadas desenvolveu uma actividade quase insuperável, catapultando o Futebol Clube do Porto para o lugar cimeiro do futebol português e o mais digno representante do futebol português no panorama internacional. Os resultados estão à vista e são poucos os dirigentes desportivos que se podem lisonjear de um currículo ímpar como o de Pinto da Costa. Contudo, está-lhe a faltar algo das almas grandes: saber perceber que já não devia estar no lugar que ocupa. E digo isto não por ligação ao caso apito dourado. Não se provaram crimes gravíssimos. Digo-o por causa das muitas afirmações que tem proferido. Esperou por ser campeão e, de peito cheio, desatou a desancar em todos os seus adversários, com muita ironia e escárnio, como já é seu hábito. Já é notório que o homem está cego com o Benfica. Fala mais do Benfica do que do Porto. Dizer que gostaria de jogar no estádio da luz não é senão incendiar os ânimos, incentivar ao ódio entre clubes e contaminar o ambiente desportivo. Já é tempo do Futebol Clube do Porto perceber que Pinto da Costa não deveria estar à frente do clube. Não é porque ganha que tem direito a dizer tudo o que lhe apetece. O vencedor não está acima da ética e da moral. As vitórias não dão razão a ninguém, nem podem servir para justificar o que quer que seja. Mas como as vitórias servem para ir tapando os fracassos e o vazio da vida de muita gente e como os padrões morais do país andam muito por baixo, não é de estranhar que Pinto da Costa esteja à frente do Futebol Clube do Porto há tantos anos, e escrevo isto não tendo nada contra a pessoa, mas sim a forma como representa o Futebol Clube do Porto.


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António Marinho e Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, anda na berra, granjeando de dia para dia admiradores, pela frontalidade e coragem com que diz aquilo que muito português pensa, mas não diz. Ainda há dias, em Amarante, onde deu uma conferência, vários apoiantes aprovavam a sua atitude, incentivando-o a continuar a dar “bengaladas” e a pôr os pontos nos ii como o tem feito até aqui. Há um desporto que todos admiramos em Portugal: ver bater em tudo e todos, nomeadamente nos políticos, nos empresários, nos dirigentes, nos serviços públicos, na organização do país, e por aí fora, muitas vezes sem razão nenhuma. Como somos um povo cordato e, por norma, medroso na hora de falar, admiramos os que o fazem. Preferimos ser ruminantes no silêncio. Aliás, damo-nos muito mal com a frontalidade. Defensores do “velho respeitinho”, consideramo-la quase má educação e deselegância. É mais bonito pensar uma coisa e dizer outra. Dizer o que se pensa em oposição ao outro, discordar e dizê-lo, é, para muitos, quase uma ofensa, o que não é nem de longe nem de perto. Na nossa educação ensinamos que se deve ser sincero, mas até certo ponto, não vá a pessoa ficar ofendida…A frontalidade, ou se quisermos, a sinceridade é uma virtude e todos a devíamos cultivar. Neste aspecto, Marinho e Pinto tem sido exemplar. Já se percebeu que diz o que pensa, sem medo, não tem papas na língua, como diz o povo, embora cometa alguns excessos. Se tem razão em tudo o que diz não sei, mas em algumas coisas parece ter muita razão, pela reacção que provocou. É um exemplo a seguir contra o marasmo do “deixa andar” muito à portuguesa.

Contudo, desde a primeira hora que considero questionável a forma como se posicionou em relação à sociedade e aos problemas. Estes se existem no país e nas instituições não é só devido à incompetência de uns poucos, que certamente não podem de deixar de ter as suas culpas no cartório. Dividir a sociedade entre competentes e incompetentes, ou entre bons e maus, colocando-nos nós sempre do lado dos bons, como se connosco fosse tudo um mar de rosas, é errado. O país que temos é da responsabilidade de todos. O que é que cada cidadão faz em concreto para melhorar o seu país? Dois exemplos: Marinho e Pinto tem-se desdobrado em críticas ao funcionamento da justiça. É verdade, a justiça parece não funcionar bem. E que dizer do cidadão que vai a tribunal por tudo e por nada, até com as coisas mais irrisórias e insignificantes, atafulhando os tribunais com casos que a inteligência tinha obrigação de dirimir? Que dizer do cidadão que fervilha por uma oportunidade para humilhar alguém diante de um juiz? Se a justiça está como está, todos temos culpa. Promoveu-se um cultura de direitos e só direitos e está-se a ver no que deu: as pessoas multiplicam-se em exigências atrás de exigências, só pensam no bem delas, nem que para isso tenham de andar de conflito em conflito. Segundo: a sua discussão acesa com Manuela Moura Guedes deliciou o país durante alguns dias. Face a algum jornalismo truculento e excessivo daquela, em algumas situações com alguma razão, Marinho e Pinto encarregou-se de a pôr na ordem. Os excessos do jornalismo são visíveis todos os dias. O jornalismo perfeito nunca o teremos. Mas uma coisa é certa: mal da sorte quando tivermos um jornalismo mansinho e ordeiro, que não estuda, que não investiga, que se está a marimbar para a verdade dos factos e que não se paute pela isenção e pela independência. A sociedade, nas suas ideias, sentimentos e intenções, não é assim tão cândida e pura, como, por vezes, se quer fazer passar. Em muitos casos, das palavras aos factos vai uma grande distância. Ao jornalismo caberá sempre o direito de analisar, esmiuçar e questionar, desmontar cenários que são areia lançada para os olhos do mundo.



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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Infantilidade adulta

 

“Faça você mesmo!” O slogan é conhecido e, em certa medida, até dá jeito… Mas aplicá-lo à fé é um desastre! Quem o disse foi o Papa, com sua habitual frontalidade, citando São Paulo: muitos consideram que ter uma fé adulta é não ouvir a Igreja nem os seus pastores, mas escolher o que lhes apetece ou não acreditar. Mais: este género de católicos diz ter a “coragem de se exprimir contra o magistério da Igreja”. Só que, na realidade, para isso não é preciso coragem porque está garantido o elogio público. Coragem sim – lembra o Papa – têm aqueles que aderem à fé da Igreja mesmo quando esta contradiz os esquemas do mundo. Esta é a fé que interessa. O oposto disto é ser infantil – conclui Bento XVI – é andar ao sabor das correntes da moda e ser levado para aqui e para ali por quaisquer ventos de doutrina… Realmente, tantos adultos à nossa volta e tão infantis que eles são!

 

                                                  Aura Miguel , Rádio Renascença



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