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minhas notas

31 de Maio - festa de pentecostes

30.05.09 | minhasnotas

Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se encontravam, com medo dos judeus, veio Jesus, apresentou- Se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco». Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos ficaram cheios de alegria ao verem o Senhor. Jesus disse-lhes de novo: «A paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós». Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos».

 

O Pentecostes é a festa do Espírito Santo. O Cristianismo, a fé em Cristo, é uma religião que dá valor ao espírito, de certeza, mas não é espiritualista, desencarnada, inumana. É uma religião humanista, que abre o homem à transcendência, ao Espírito e a Deus. Um dos maiores problemas do nosso tempo é a falta de espírito. Há, actualmente, um excesso de matéria nas suas diversas formas: corporalidade e sexo, produtividade e consumismo. Como consequência é notório um vazio existencial. Há uma infelicidade comum que paira no ar. As pessoas sentem-se vazias, intimamente insatisfeitas, por viverem uma vida sem sentido e incapaz de encher de felicidade. Falta espírito e razões para viver, trabalhar e amar os outros, em suma, falta transcendência para a existência de pessoas limitadas que somos. O homem torna-se humano na medida em que se abre a Deus e aos outros. Sob a acção do Espírito santo encontra-se, reconcilia-se com Deus e consigo mesmo, e abre-se à comunhão gozosa com Ele e com os outros como irmãos.

o testamento vital

28.05.09 | minhasnotas

O Parlamento aprovou o projecto que estabelece o testamento vital, com os votos do Partido Socialista e Partido Comunista Português, a abstenção do Bloco de Esquerda e o voto contra do PSD, do CDS-PP e de uma deputada socialista.

Um testamento vital é um documento em que consta uma declaração antecipada de vontade, que alguém pode assinar quando se encontra numa situação de lucidez mental para que a sua vontade, então declarada, seja levada em linha de conta quando, em virtude de uma doença, já não lhe seja possível exprimir livre e conscientemente a sua vontade.

A Conferência Episcopal Portuguesa afirmou aqui há uns tempos: «Quem acredita em Deus sabe que só Ele é o Senhor da vida e que ninguém pode pôr fim à sua própria vida ou contribuir para a morte do seu semelhante. É o quinto mandamento da Lei de Deus: o homicídio e o suicídio são actos imorais.

Morrer com dignidade é morrer com grandeza e generosidade, aceitando o sofrimento na sua dimensão positiva e redentora. A morte é um momento alto da vida e a maneira de morrer pode redimir essa vida. Temos obrigação de ajudar os nossos irmãos a percorrer com dignidade a fase terminal da vida, para o que muito contribui a própria ciência médica, através dos cuidados paliativos e da terapia da dor.

O testamento vital "é um passo" para a eutanásia, adverte o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que defende uma legislação séria, equilibrada, justa e ética.

 

Registado

28.05.09 | minhasnotas

Também os da inteligência, também os do coração. Há tempos, um afamado comunicador da nossa praça fez constar que o grande culpado do que menos bom ou até mau ia acontecendo no agora célebre Bairro da Bela Vista seria o primeiro bispo de Setúbal que, levado pela sua preocupação pelos pobres (salve-se isto!), mandaria construir aqueles mamarrachos sem pés nem cabeça, isto é, sem as condições mínimas para garantirem uma saudável vizinhança e qualidade de vida. Procurei elucidá-lo a ele, procurador da história e das estórias, fazendo-lhe ver que estava lavrando no impensável, até porque ao dito bispo mais não se poderia atribuir que um preocupado trabalho de ajudar aquela gente, criando meios e espaços de humanização, bem apoiados por serviços, instituições e párocos mui zelosos em acompanhar aquele mosaico racial, cultural e religioso. O Bairro da Bela Vista foi sempre problemático, logo a partir da concepção ideológica que presidiu à sua construção. Para além das estruturas referidas, entre as quais se encontra uma humanizadora igreja, são sem número os eventos que se promovem para aproximar aquela gente, que, como toda a outra de Setúbal, é trabalhadora e boa. Acrescentaríamos que não devidamente

olhada por quem de direito. A policia, claro, é necessária, ó se o é, mas não é a única nem mais válida solução. E os casos que o provam vão-se multiplicando por essa Europa fora e já com inquietante frequência pelo nosso país. É preciso lá ir. É preciso lá estar. Com os ouvidos e os olhos da inteligência e do coração. Na cave, isto é, na verdade, está o abandono, está a desconsideração pelas pessoas, está a desconfiança. E destas companhias só pode despoletar o descontentamento, a raiva, o desejo, porventura inconsciente, da vingança. Os equipamentos muito bem apetrechados, com gente muito boa, mas muito sabedora e formalizada, embrulhada em papéis, não chegam. Podem até ofender, quando o importante, que é interesse e o afecto, não acontece. Vivemos tempos perigosos. Os nossos políticos, com que pena o digo, não servem, porque lhes falta a inteligência do coração. Aproveitando um sugestivo título de um livro de Daniel Sampaio, apetece-me dizer “Inventem-se novos políticos”. Que exagerado que eu continuo a ser.

 

                          D. Manuel Martins, Página Um da Renascença, 28.5.2009

 

Cristianismo tecnológico?

27.05.09 | minhasnotas

 

 Myspace utilizado para recrutar fiéis 

O perfil no sitio do Myspace tem testemunhos reais das opções feitas por membros da igreja. O cristianismo tecnológico vive nas redes sociais, onde a proclamação do evangelho é feita através do download de vídeos e de orações em mp3. 

A igreja está consciente da importância desta forma de comunicar e as dioceses e paróquias estão empenhadas em alimentar esta evangelização virtual. Paulo Rocha, Director da Agência Ecclesia, dá-nos o exemplo do padre Júlio Grageia, que desde os anos 90 criou um site com centenas de seguidores. 

As celebrações religiosas têm cada vez mais lugar na Internet. Missas e mensagens religiosas são colocadas no Youtube registando milhares de visitas. 

Igreja do futuro 

Há mesmo quem se questione até onde é pode ir o cristianismo tecnológico ? Estaremos a caminhar para um futuro onde, por exemplo, a remissão dos pecados poderá ser feita online? Segundo o padre João Caniço, “neste momento, em 2009 não é, mas não sabemos o que vai acontecer daqui a três ou quatro anos”. 

Entre 2000 e 2006 o número de padres diminuiu 8% em Portugal. O cristianismo tecnológico pode ser uma realidade e uma forma de combater a crise de vocações.

                                                     Notícia da SIC Notícias, 27.5.2009

O que pensa acerca disto?

 

 

a vergonha da violência doméstica

27.05.09 | minhasnotas

Pelo menos 41 mulheres foram assassinadas em 2008 em Portugal pelos companheiros, anunciou hoje a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), defendendo que este tipo de crime deve ser analisado separadamente no relatório de Segurança Interna.

De acordo com dados de um relatório da UMAR, elaborado com dados da imprensa e entregue hoje no Ministério da Administração Interna, em 82 por cento de 46 homicídios contabilizados o homicida foi o "outro membro ou ex-membro do casal", fosse em situação de casamento, união de facto ou namoro.

"Este número assustador e trágico, que peca por defeito" devia ter sido tratado separadamente no Relatório Anual de Segurança Interna, considera a UMAR, argumentando que incluí-lo no universo de todos os homicídios cometidos "leva à incompreensão deste especialíssimo fenómeno criminal".

 

                                       Notícia retirada do site da Visão, 27.5.2009

 

Como é possível que isto esteja a acontecer?

Evangelizar no Continente digital

22.05.09 | minhasnotas

Atenção, jovens e adolescentes! A partir de agora há uma nova página na Internet feita especialmente a pensar em cada um de vocês com o sugestivo nome “Pope2you”, o “Papa para ti”! Inaugurado no contexto do Dia Mundial das Comunicações Sociais, que a Igreja assinala no próximo domingo, este novo site inclui vídeo-notícias do Papa no “You Tube”, novas aplicações para descarregar no “iPhone”, permite enviar postais electrónicos através do “Facebook”, com fotos e frases do Papa… Enfi m, trata-se de mais uma iniciativa de Bento XVI

para comunicar com os jovens e adolescentes, no ambiente que eles dominam.

O Papa dirige-lhes uma mensagem especial e pede-lhes que imitem os apóstolos, ou seja, que evangelizem este novo “continente digital”; pedindo-lhes mesmo que dêem testemunho do amor infi nito de Deus. Esta confiança manifestada por Bento XVI é também sinal de outra coisa, como explica o presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais: “É que, na verdade, o Papa é muito mais amado e apreciado do que a maioria dos media tenta fazer passar, por isso, a Santa Sé não faz mais do que a sua obrigação: ir ao encontro do que os jovens querem e pedem”. É bom saber que, afi nal, são muitos os que não alinham nos clichés da mentalidade dominante.

 

                                                     Aura Miguel, Rádio Renascença

 

Celebramos este Domingo a Ascensão de Jesus ao Céu

22.05.09 | minhasnotas

 

 

 

 Naquele tempo, Jesus apareceu aos Onze e disse-lhes:

«Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas quem não acreditar será condenado. Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem: expulsarão os demónios em meu nome; falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem veneno, não sofrerão nenhum mal; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados». E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles partiram a pregar por toda a parte e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.

Morrer com dignidade

22.05.09 | minhasnotas

No dia 15 de Março, o Jornal Público publicou um estudo sobre as mudanças que estão a acontecer na forma como se está a morrer nas sociedades contemporâneas. A jornalista Alexandra Campos serviu-se, para isso, da tese de mestrado em Bioética do Padre José Nuno, actual Capelão do Hospital de S. João, no Porto, e Coordenador Nacional e Diocesano dos Capelães Hospitalares, padre que tive o privilégio de ter como prefeito e educador durante um ano no Seminário do Porto. Uma das grandes conclusões a que o P. José Nuno chegou na sua tese de mestrado, é que, no espaço de uma geração, o local da morte transferiu-se de casa para o hospital. A morte deixou de ser um passo íntimo, em família. Se, em 1970, 80% dos doentes morriam em casa, hoje em dia só um terço das pessoas morre em sua casa, acontecendo mais no Norte que no Sul. Diz o P. José Nuno, “no século XX a atitude do homem perante a morte mudou. E, como a atitude mudou, mudou o modo de morrer”. Os hospitais não estavam preparados nem sensibilizados para esta realidade e daí que agora se esteja a desenvolver todo um esforço de domiciliação e humanização do hospital, alargando-se a rede de cuidados paliativos, que ainda só dão resposta a 10% das necessidades, e permitindo-se a presença de familiares nos últimos momentos de vida do doente, já que ninguém quer morrer sozinho, sem um último olhar ou aperto de mão.

Porque é que estas mudanças aconteceram? Todos, possivelmente, queremos ter uma morte íntima, em família, é a mais digna de uma pessoa humana. Todos guardamos na memória aquelas imagens de um pai ou mãe que gostava de reunir à sua volta toda a sua família e deixar-lhe as últimas recomendações e, sentindo o calor e os últimos afagos da família, cerrar lentamente os olhos. É a morte serena e reconciliada. Infelizmente, a nossa sociedade começou a ver esta forma de morte como sinal de atraso e até de negligência, o que não é verdade, e instalou-se a ideia de que morrer bem é morrer num hospital, ligado às máquinas. É verdade que se deu uma grande mudança na realidade familiar e hoje é praticamente impossível a muitas famílias acompanhar um doente até ao fim da sua vida. Mas as razões destas mudanças são mais profundas: em primeiro, a nossa indisponibilidade para nos dedicarmos a quem quer que seja, já que o importante sou eu e a minha vida, muito menos a alguém que já é “inútil”, que possivelmente até fez muito por nós, mas que facilmente esquecemos num estalar de dedos, e, em segundo, a sociedade do bem-estar que decretámos nos últimos anos, que não demorará muito a falir, que não suporta o espectáculo do sofrimento e da morte nem o convívio com os que sofrem e os que morrem, como o P. José Nuno sublinha na sua entrevista. Proclamou-se que só se deve mostrar e conviver com o que torna a vida gira, gozosa, alegre, curtida, escondendo-se a morte, não vá isso traumatizar alguém, como se ela e o sofrimento ligado a ela não fizessem parte da vida… Repare-se como o luto não tem nenhum valor para as novas gerações e quem se dispõe a vivê-lo, nem que seja num curto espaço de tempo, é logo apelidado de antiquado e retrógrado. E pior ainda é o fenómeno da americanização da morte a que já começamos a assistir, iludindo-se a morte, mascarando o cadáver e pondo-o mais bonito do que quando estava vivo, tentando-se assim suavizar o “choque” da morte. Esquecer a morte e tudo fazer para eliminar o mínimo vestígio da sua presença na vida não é senão preparar as pessoas para uma má morte ou uma má vivência da morte. Seja qual for o lugar da morte, que ninguém deixe de ter a devida assistência e atenção para morrer com dignidade e evite-se a todo o custo que alguém morra abandonado.

 

Edgar Morin e o ensino actual

22.05.09 | minhasnotas
Edgar Morin defende reforma radical no ensino
O filósofo e sociólogo Edgar Morin, que sexta-feira participa em Viseu num colóquio sobre Educação promovido pelo Instituto Piaget, defende uma «reforma radical» do modelo de ensino nas universidades e escolas, salientando a necessidade de acabar com a 'hiperespecialização'.
 

«Temos a necessidade de reformar radicalmente o actual modelo de ensino nas universidades e escolas secundárias. Porquê? Porque actualmente o conhecimento está desintegrado em fragmentos disjuntos no interior das disciplinas, que não estão interligadas entre si e entre as quais não existe diálogo», sublinha, em entrevista à Lusa.

O filósofo francês considera que o modelo actual leva a «negligenciar a formação integral e não prepara os alunos para mais tarde enfrentarem o imprevisto e a mudança».

Edgar Morin, de 88 anos, critica, por exemplo, que nas escolas e universidades «não exista um ensino sobre o próprio saber», ou seja, sobre «os enganos, ilusões e erros que partem do próprio conhecimento», defendendo a necessidade de criar «cursos de conhecimento sobre o próprio conhecimento».

Lamenta, igualmente, que a «condição humana esteja totalmente ausente» do ensino: «Perguntas como 'o que significa ser humano?' não são ensinadas», critica.

Por outro lado, acredita que a «excessiva especialização» no ensino e nas profissões produz «um conhecimento incapaz de gerar uma visão global da realidade», uma «inteligência cega’».

«Conhecer apenas fragmentos desagregados da realidade faz de nós cegos e impede-nos de enfrentar e compreender problemas fundamentais do nosso mundo enquanto humanos e cidadãos, e isto é uma ameaça para a nossa sobrevivência», defende.

«Está demonstrado que a capacidade de tratar bem os problemas gerais favorece a resolução de problemas específicos», garante Morin, lembrando que a maioria dos grandes cientistas do século XX, como Einstein ou Eisenberg, «além de especialistas, tinham uma grande cultura filosófica e literária».

«Um bom cientista é alguém que procura ideias de outros campos do conhecimento para fecundar a sua disciplina», afirma, sublinhando que «todos os grandes descobrimentos se fazem nas fronteiras das disciplinas».

Garante também que «apesar de em muitas universidades norte-americanas existir maior flexibilidade no que toca ao modelo ensino», nos Estados Unidos existe o «mesmo problema que na Europa».

 

 

                                                             Notícia do Jornal Destak 21.5.2009

Campanha ateísta

21.05.09 | minhasnotas

Decorre em alguns países europeus, e parece que em breve chegará a Portugal, uma campanha publicitária ateísta curiosa, mas ao mesmo tempo intrigante. Foi lançada o ano passado pela Associação Humanista Britânica, que colocou cartazes em trinta autocarros de Londres. O slogan lacrado nos autocarros, inspirado no cientista ateu Richard Dawkins e criado pela jornalista Ariane Sherine, diz o seguinte: «Deus provavelmente não existe. Deixe de se preocupar e goze a vida». A mesma campanha está a chegar a outras grandes cidades europeias, como Barcelona, Madrid, já chegou inclusive a Washington, capital americana, e até já foi adoptada nalgumas cidades australianas, embora os slogans sejam diferentes: em Washington é «Para quê acreditar num Deus? Seja bom por amor da bondade», e na Austrália é «Ateísmo – fique a dormir no Domingo de manhã». As organizações ateístas são livres de expressar as suas “crenças”. Mas já se percebeu que todas estas campanhas têm na sua base um ateísmo cool, que não se reveste da mesma ferocidade e agressividade do ateísmo militante de outros tempos. Basta tomar atenção ao “provavelmente”. É um ateísmo de forte pendor comodista. Não se trata de negar a existência de Deus, mas de O afastar da vida, eliminando toda e qualquer influência que possa exercer sobre o homem moderno, que quer viver ao sabor da sua vontade e do seu comodismo, que quer ter todo o tempo do mundo para desfrutar o que muito bem lhe apetece. Os slogans não podem deixar de levantar muitas perguntas, mas concentro-as numa: é necessário prescindir de Deus para se gozar a vida? Mais uma vez está em causa a imagem que se faz de Deus. Em vez de se ver Deus, e aquilo que Ele propõe, como Alguém que dá transcendência e densidade à vida, Alguém que possibilita viver a vida na sua verdade e profundidade, logo verdadeiramente feliz, pelo contrário, Deus é visto como um inimigo da vida e da felicidade, que parece que tem gosto em complicar a vida ao homem e em sobrecarregá-lo com regras e pesos que vão contra o seu maior bem e realização. Nada mais inverosímil. Pergunto: Deus não deixa gozar a vida. Ou será que sem Deus a vida não é um gozo? Seria bom que muitos destes ateus confessos (alguns até serão baptizados) lessem com serenidade a parábola do Filho Pródigo, que se encontra nos Evangelhos, no Novo Testamento, que é considerada um resumo da obra de Jesus Cristo e do seu Evangelho. À imagem do filho mais novo que abandonou a casa paterna, uma das ilusões modernas, que mais tarde ou mais cedo é fonte de grande sofrimento para o homem, é de que só será feliz quando viver livre de tudo e de todos, sem qualquer amarra, quando puder mandar sozinho no seu destino e só por si decidir o que é bom e o que é mau para si, como se se bastasse a si mesmo. É a tentação do homem moderno. A parábola descreve magistralmente a degradação e o desnorte a que o homem chega, fazendo esta opção, esquecendo a sua dependência e fragilidade. Após tomar consciência da baixeza e infelicidade a que chegou a sua vida, o filho empreende o regresso à casa paterna. Afinal, em casa do pai era verdadeiramente feliz. Quando era obediente, era livre. Quando amava, humanizava-se. Quando fazia comunhão com os outros, era digno e respeitado. E como é que o pai o recebeu? Abraça-o, recupera-lhe a dignidade e organiza uma festa. Repito: organiza uma festa. Onde é que está o Deus que é hostil à alegria de viver? O perigo desta campanha ateia, que se está a organizar em várias grandes cidades mundiais, não é o de pôr em causa a crença em Deus ou lançar a confusão nas mentes mais incautas e sensíveis, que até poderá acontecer: é o de vender um ideal que empobrece e degrada o homem, transmitindo a ideia de que a felicidade está no prazer, sob todas as suas formas, na irresponsabilidade, no descompromisso, na libertinagem, na facilidade, no fugir ao esforço e ao sacrifício, no satisfazer de todo o tipo de apetites, sem qualquer exigência moral e ética. Não tenho dúvidas de que é o pior caminho que podemos escolher para nos realizarmos como pessoas humanas.  

Como andas com Deus?

21.05.09 | minhasnotas

Muitos cristãos no dia-a-dia vivem quase como se Deus não exista e a incidência na sua vida pessoal, familiar e social é quase nula. Deus tornou-se uma espécie de S.O.S da vida, a quem se recorre apenas nos momentos de desgraça ou infortúnio da vida ou então Alguém a quem se busca superficialmente para manter festas familiares, como baptizados, casamentos, comunhões, entre outras. Mas na grande parte do tempo da vida é esquecido, quando deveria configurar os nossos valores, a nossa forma de estar na vida, os nossos critérios, as nossas opções. Foi este o compromisso que se fez no dia do baptismo, tanto o baptizado como a família. Nos últimos anos deu-se uma rendição ao “Big Bang” económico, científico e tecnológico que se deu em algumas partes do mundo, entre elas a Europa, que fez com que o homem actual ganhasse a sensação de uma segurança exagerada de si mesmo, e pior do que isso, que se basta a si mesmo, pensando que está rodeado de todos os meios para se realizar e ser feliz e a esperar sempre mais do mesmo, considerando-se salvador de si mesmo. Mas já é notório o cansaço e o mal-estar que se construiu e não faltam exemplos de uma grande insatisfação que mora no interior das pessoas, que os criativos profissionais vão tentando calar com invenções e analgésicos de última hora. A instabilidade, a competitividade, a escravidão, a violência, e, por vezes, até, a desumanidade a que o mundo moderno sujeitou as pessoas, outra coisa não fez que lançar um grande vazio e causar uma grande falta de alegria de viver e um sem sentido da vida, por falta de transcendência. Não estará na hora de reinventarmos a vida?

Um cristão deve votar em consciência

21.05.09 | minhasnotas

Um cristão deve votar em conformidade com os valores e princípios em que acredita. A fé não é um capote que se veste só para ir à missa ou participar noutros sacramentos ou actos da Igreja e na Igreja e que depois se coloca no cabide. É um conjunto de valores e princípios que devem inspirar a forma de estar na vida e todos os actos e decisões de quem a professa. Não tem sentido andar a dizer e a professar uma coisa e depois fazer tudo ao contrário disso ou contra isso. É uma incoerência. Por isso, a todo o cristão exige-se o exercício de analisar o perfil dos candidatos e os seus programas eleitorais e ter o cuidado de os aprovar ou reprovar com o seu voto, em conformidade com os critérios cristãos, que a CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) enumera: promoção dos Direitos Humanos; defesa e protecção da instituição familiar, fundada na complementaridade homem mulher; respeito incondicional pela vida humana em todas as suas etapas e a protecção dos mais débeis; procura de solução para as situações sociais mais graves: direito ao trabalho, protecção dos desempregados, futuro dos jovens, igualdade de direitos e melhor acesso aos mesmos por parte das zonas mais depauperadas do interior, segurança das pessoas e bens, situação dos imigrantes e das minorias; combate à corrupção, ao inquinamento de pessoas e ambientes, por via de alguma comunicação social; atenção às carências no campo da saúde e ao exercício da justiça; respeito pelo princípio da subsidiariedade e apreço pela iniciativa pessoal e privada e pelo trabalho das instituições emanadas da sociedade civil, nomeadamente quando actuam no campo da educação e da solidariedade. A CEP é clara: «O eleitor cristão não pode trair a sua consciência no acto de votar. Os valores morais radicados na fé não podem separar-se da vida familiar, social e política, mas devem encarnar-se em todas as dimensões da vida humana. As opções políticas dos católicos devem ser tomadas de harmonia com os valores do Evangelho, sendo coerentes com a sua fé vivida na comunidade da Igreja, tanto quando elegem como quando são eleitos». Quantas vezes não se mete a fé no bolso para se ceder ao amiguismo, aos interesses, ambições e conveniências pessoais ou de grupos ou ao imediato da vida?

É preciso credibilizar o sistema político e os candidatos

21.05.09 | minhasnotas

Os agentes e instituições políticas devem promover uma credibilização do sistema político e dos candidatos. A CEP (Conferência Episcopal Portuguesa) é clara: «Os responsáveis políticos têm o dever de formular programas eleitorais realistas e exequíveis, que motivem os eleitores na escolha das políticas propostas e dos candidatos que apresentam. Este dever exige dos mesmos responsáveis a obrigação de visar o bem comum e o interesse de todos, como finalidade da acção política, propondo aos eleitores candidatos capazes de realizar a sua missão com competência, cultura e vivência cívica, fidelidade e honestidade, sempre mais orientados pelo interesse nacional, que pelo partidário ou pessoal. Ser apresentado como candidato não é uma promoção ou a paga de um favor, mas um serviço que se pede aos mais capazes». O povo, e com razão, já está farto de muito teatro mal ensaiado, de muita pantominice e desonestidade, de muitos ilusionismos e malabarismos. Já é tempo de se acabar com o paleio das promessas e de se falar a sério e com transparência às pessoas sobre a verdadeira realidade dos problemas do país e apontar soluções que podem, de verdade, ser exequíveis e que são sólidas a médio e longo prazo, acima dos interesses partidários ou pessoais. 

Todo o cidadão deve votar

21.05.09 | minhasnotas

Todos devem exercer o seu direito e o seu dever de votar. É um claro sinal de maturidade cívica. Ser um cidadão responsável implica votar. Desde há uns anos para cá que se vai ouvindo a alguns cidadãos, talvez desiludidos com o rumo dos acontecimentos, que deixaram de votar. Nada o justifica. Como todos os sistemas, a democracia também não é perfeita. E só há uma forma de ir corrigindo as suas falhas e limitações: participar no debate público e votar. Passar a vida a criticar tudo e todos e, na hora de consubstanciarmos as nossas criticas ou de podermos influenciar uma mudança de rumo, colocarmo-nos de fora é incorrecto e inadmissível e faz-nos perder toda a autoridade. Por isso, todo o cidadão deve votar. Possivelmente, se vivêssemos em regime de falta de liberdade de voto, andaríamos todos entesados e crispados a organizar mais um cortejo de tanques para adquirimos um direito que nos era sonegado (e com que esforço foi adquirido poder exercê-lo livremente). Temo-lo, não queremos saber…

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