Segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

De vez em quando, alguns cristãos que raramente vão à missa (ainda não percebi como é que se pode ser cristão sem frequência dos sacramentos, sobretudo da eucaristia dominical), lá vão deixando escapar: «eu até ia à missa, mas aquilo também é sempre a mesma coisa, a missa é uma seca». Até os pais que têm os filhos na catequese, quando questionados sobre o escândalo que é andar na catequese e não ir à missa - eu digo mesmo escândalo, porque catequese que não chega à missa do Domingo e à comunidade é uma aberração, é uma catequese incoerente e sem sentido, é uma catequese de pernas para o ar - lá vão dizendo também: «O meu filho diz que a missa é uma seca». Não é o filho que diz. De certeza que já o ouviu muitas vezes aos pais e no seu grupo de amigos e até da boca de muitas pessoas que se dizem cem por cento católicas.

Confesso que tudo isto me mete impressão e até certo ponto deixa-me atónito. É um sacrilégio dizermos uma coisa destas! Como é possível que a celebração do maior acontecimento da vida de Jesus Cristo, logo também dos cristãos, que trouxe libertação, paz e reconciliação à vida de todos e do mundo, seja visto como uma seca? Como é possível que a atualização do maior gesto de amor que jamais alguém teve pelos outros e pela humanidade seja encarado quase como insignificante e merecedor de desprezo? Como é possível que cristãos que receberam o batismo e aprofundaram a sua fé na catequese (será que sim?) não tenham gosto em estar com Jesus Cristo na Eucaristia e não tenham gosto de se encontrar uns com os outros, à volta daquele que é a fonte da vida? Como é possível?

Na verdade, este pobre e triste desabafo de muitos cristãos põe a nu, mais uma vez, a falta de formação, a falta de maturidade e a falta de espiritualidade de muitos cristãos, que nunca, possivelmente, na sua vida entenderam uma missa, que muito provavelmente foram «obrigados a ir à missa», mas nunca entraram na beleza do seu mistério. Temos assim muitos cristãos. A missa acaba por sofrer com alguns defeitos deste tempo: ausência de vida interior e de espiritualidade, falta de oração e de contemplação na vida das pessoas, dificuldade em fazer e viver o silêncio, pouca reflexão, falta de atenção e de concentração, indisciplina mental, tédio pelo excesso de oferta, afastamento da linguagem simbólica. Para além disto, temos depois as características deste tempo, que não deixam entrar na vivência da eucaristia: individualismo, que tolda e atrofia a capacidade de se viver para um ideal e de pensar e viver para os outros, para a comunidade; o hedonismo, que confunde alegria e festa e até celebração só com euforia, prazer, sensação e diversão; a valorização excessiva do movimento, que vai convencendo tudo e todos que só aquilo que põe as pessoas aos pulos e aos gritos é que tem graça, sendo até «original» e «inovador», sendo o seu contrário uma «seca» ou cinzentismo. Enfim, a textura da suave superficialidade que vai reinando um pouco na vida de todos.

Saberão muitos cristãos o que vão fazer à missa? A eucaristia é o sacramento central da vida dos cristãos e da vida da Igreja. Como diz o Vaticano II, ela é o cume e a fonte da vida da Igreja: é dela que parte e nasce a vida do cristão e da Igreja e é para chegar a ela que tudo se faz e desenvolve. Foi instituída por Jesus Cristo (não somos nós os donos e os protagonistas da eucaristia) para celebrarmos o principal acontecimento da sua vida, o seu sacrifício na cruz e a sua ressurreição, e para Ele mesmo se encontrar e alimentar, fortalecer e constituir a sua Igreja. Em ordem a isto, está organizada em duas partes, em duas mesas, de que somos os felizes convidados: liturgia da palavra, em que nos é servido o pão da Palavra de Deus, para ser escutada, ruminada e vivida por todos, e a liturgia eucarística, parte em que se atualiza o sacrífico e a entrega de jesus a Deus Pai na cruz, ao qual nos unimos com a nossa vida, o nosso ofertório, e em que damos graças a Deus e apresentamos a Deus as necessidades da Igreja e do mundo, atingindo esta parte o seu ponto culminante na comunhão, momento em que a Igreja é unida a Cristo e constituída como seu corpo e se torna povo de Deus. Repare-se no que celebramos em cada eucaristia!

Muitos cristãos argumentarão que até têm consciência dos grandes momentos e dos grandes acontecimentos da Eucaristia, mas que fica sempre a sensação que é sempre a mesma coisa. Não é, meus amigos. Em cada eucaristia é-nos servida uma palavra sempre diferente, sempre nova e interpeladora, e cada eucaristia é sempre um novo encontro e uma nova ação de Cristo em nós. Se calhar, muito provavelmente, o problema está em nós, que não vivemos uma vida centrada em jesus Cristo e no seu Evangelho e vamos para a missa sem motivação, sem vontade em estar com Cristo e de receber dele para viver melhor e sem vontade para crescer e viver mais para Deus, para os outros e para Igreja. É verdade que ela se celebra sempre da mesma forma, mas não é sempre a mesma coisa. Nem tudo que se faz sempre da mesma maneira é uma seca. Se assim fosse, então temos de chegar à triste e desoladora constatação de que toda a nossa vida é uma seca: dormimos todos os dias na mesma cama, comemos todos os dias na mesma mesa, habitamos sempre na mesma casa, vamos todos os dias ao mesmo café, estudamos sempre na mesma escola, juntamo-nos sempre nas mesmas ruas e nos mesmos lugares, celebramos os anos sempre da mesma maneira, fazemos tanta coisa sempre da mesma maneira. E, no entanto, a nossa vida não é uma seca. Importa, sobretudo, é o sentido, a motivação e a finalidade que pomos naquilo que fazemos.

O arcebispo de Nova Iorque contava há dias: «Um homem contou-me, uma vez, sobre o seu jantar de domingo em família, a melhor parte da semana enquanto cresceu. A comida era ótima, porque a sua mãe cozinhava tão bem, e todos eram muito felizes, porque o pai estava sempre presente! Mesmo depois de casar e de ter os seus próprios filhos, todos iam a casa dos pais para aquele jantar de domingo. Quando os filhos ficaram um pouco mais velhos, perguntaram se "tinham de ir," porque às vezes achavam o jantar um bocado "chato". Sim, respondia, têm que ir, porque não vamos pela comida, mas por causa do amor, porque a mãe e o pai estão lá! Sentia uma angústia enquanto se lembrava que, conforme a mãe e o pai foram envelhecendo, a comida já não era assim tão boa e nem a companhia era tão agradável, mas ele nunca faltou, porque aquele acontecimento de domingo tinha uma enorme profundidade de sentido mesmo quando a mãe queimava a lasanha e o pai dormitava. E agora, concluiu, daria tudo para estar lá novamente, porque a mãe morreu e o pai está num lar. Por isso, ele e a sua mulher são agora os anfitriões e esperam ansiosamente que, um dia, os seus filhos tragam também os seus cônjuges e os seus próprios filhos para a sua mesa ao domingo. É que o valor daquele jantar de domingo não depende de quão boa é a comida; de quão caro é o vinho; de quão interessante é a conversa. Tudo isso ajuda, com certeza, mas é o acontecimento em si que tem o real valor».

Este homem diz-nos a todos como sabia sempre bem aquele encontro e aquele jantar sagrado, à volta do pai e da mãe. Que saudades sentia daquele jantar! Era sempre no mesmo dia e da mesma maneira, mas era sempre novo. Daria tudo para estar lá novamente, todos os Domingos, com o pai e a mãe. Como eram tão bons aqueles momentos familiares! Experimentavam e aprofundavam a alegria de serem família e de se terem uns aos outros. É até aqui que muitos cristãos ainda não chegaram.

Na celebração da eucaristia, celebramos a admirável obra de Jesus Cristo e o grande amor de Deus pela humanidade. Como celebração sagrada, ela tem de ser expressão do sagrado, do transcendente e da santidade de Deus. Não podemos ceder à tentação de a querermos domesticar como muito bem nos apetece, com invenções e improvisos tontos e com teatralidade para divertir, intoxicando-a com o ruído do mundo e com a nossa mediocridade. Ela não é nossa, é de Cristo e para ser sempre expressão da beleza e da grandeza do seu amor e da sua vida. No livro «Diálogos Sobre a Fé», o Cardeal Joseph Ratzinger, futuro Papa Bento XVI, afirma: «A liturgia não é um show, um espetáculo que necessite de diretores geniais e de atores de talento. A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efémero, mas o mistério do sagrado. Muitos pensaram e disseram que a liturgia deve ser feita por toda a comunidade para ser realmente sua. É um modo de ver que levou a avaliar o seu sucesso em termos de eficácia espetacular, de entretenimento. Desse modo, porém, terminou por dispersar o proprium litúrgico, que não deriva daquilo que nós fazemos, mas do facto de que acontece. Algo que nós todos juntos não podemos, de modo algum, fazer. Na liturgia age uma força, um poder que nem mesmo a Igreja inteira pode atribuir-se: o que nela se manifesta é o absolutamente Outro que, através da comunidade (que não é, portanto, dona, mas serva, mero instrumento), chega até nós.» Não é a eucaristia que é uma seca. Nós é que talvez andemos secos e acabamos por espalhar a nossa secura em tudo o que tocamos e vivemos.



publicado por minhasnotas às 11:05 | link do post | comentar

13 comentários:
De José Silva a 20 de Outubro de 2014 às 00:07
A minha convicção é que a Missa é mesmo uma seca. E não cocnordo que andemos secos. O que eu acho é que os srs padres têm falta de vocação e não põem ânimo no que fazem. O que transparece daí é excatamente a seca, porque nem eles próprios acreditam no que pregam.


De Maria Pedro a 20 de Outubro de 2014 às 10:48
Que pena, não ter entendido o que foi exposto.
Eu sou Catequista e tento passar esta informação, aqui muitíssimo bem exposta, às famílias das minhas crianças, pequenas.
Quando vamos ao Sacramento Eucarístico (Missa) vamos estar em perfeita união com Deus que criou estes Sacramentos. Não foram os Sacerdotes, foi Jesus Cristo.
Então experimente estar na Igreja e olhá-lo com a Alma e o Coração (Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos). Não me interessa, a mais que a conta, quem celebra este Sacramento. Interessa-me a essência, o belo, o amor, a generosidade, a misericórdia, a complacência de um Deus, que se faz alimento, para que cada uma das nossas células se transforme mais Nele. "Eu estarei convosco até ao fim dos tempos", disse Ele e "Quando estiverem reunidos 2 ou 3 em meu Nome, Eu estarei no meio deles", ora, na Santa Missa, temos tudo isso, a Sua Presença Real quer na Eucaristia, quer na Celebração da Palavra e nas Orações. Não interessa que esta, se são melhores ou piores Cristãos, interessa a Presença Real Dele. É isso a essência que só se vê bem com o coração :) Experimente, quando a Igreja está vazia, sentar-se e dialogar com Ele no Sacrario. Ele irá dizer-lhe o quanto o ama e a pena que tem porque deturpa a sua palavra e com vãs desculpas não se aproxima Dele. Em Comunidade. Junto com os irmãos. E, caso tenha ideias melhores, não se afaste, junte-se e colabore. A crítica só é válida quando construtiva. Bem haja!


De Teresa a 20 de Outubro de 2014 às 12:06
Não poderia estar mais de acordo com o texto. Quando existe no coração humano a falta de Amor então damos lugar ao mundano. Não consigo entender porque tantos ditos "cristãos " vão receber os sacramentos se acham tudo uma seca e não vivem esses mesmos sacramentos. Quando acordo também deve ser uma seca agradecer a DEUS pela vida, mas quando morre um ente querido já conheço DEUS para o culpar. Deixemos de ser hipócritas. Como posso amar, ser amado, dizer que sou cristão quando tenho um coração seco? Isto acontece porque eu não permito que DEUS viva em mim e se não o procuro como posso dizer que ele vive em mim e eu nele. Não posso exigir, culpar atirar pedras a alguém que não permito que faça parte da minha vida. Se as pessoas soubessem as graças que podem receber da santa missa com certeza não a achariam uma seca. Não deixemos sozinho aquele cuja vida ofereceu pela salvação da alma humano e sejamos felizes.


De Teresa a 20 de Outubro de 2014 às 12:21
Gostaria de lhe propor um desafio: o que acha da oração? Antes de tudo olhe para bem dentro de si. Procure o que tem de melhor e de pior, esvazie o peso que carrega no seu coração. Em seguida e vazio de tudo ore um pouco, uma troca de palavras entre DEUS e você. Depois num belo dia de Domingo convido-o a visitar uma igreja, assistir a uma missa e lembre-se de esvaziar e orar, assista à missa com os olhos da alma e no final sinta se a missa foi novamente uma seca ou um carinho de DEUS na sua vida. Confie, acredite e verá que a vida é bem melhor. Um excelente dia e um grande sorriso de alegria. Afinal estou a fazer a minha parte neste mundo porque se DEUS me criou é porque me ama e eu sou importante para ele e demais...


De Zulmiro Sarmento a 20 de Outubro de 2014 às 12:37
O sr. José anda seco como palha. Tome cuidado.
Triste é quem não se conhece.
Belo artigo.


De Sandra a 20 de Outubro de 2014 às 10:13
Concordo plenamente com a mensagem aqui tão bem explicada. Para mim a missa é uma festa. Só que as festas não têm de ser sempre barulhentas, celebramos a nossa vida, agradecendo ao Pai e celebramos a vida de um homem tão especial que foi Jesus.
A Eucaristia é uma fonte de vida e quem tem realmente sede vai sempre à fonte de vida...
Não concordo com o comentário feito, pois os padres são homens como nós, também com as suas fraquezas e por isso muitas vezes não são os modelos que deveriam ser, tal como nós cristãos. Mas eu vou à missa para estar com Deus e com Jesus.


De Fadjaros a 20 de Outubro de 2014 às 10:26
Acho que também é preciso acreditar. Muitos dizem que o são (cristãos) sem o ser. Eu próprio dizia até que deixei de me enganar a mim próprio e passei a dizer que não tenho religião.

Não acredito nas palavras de um livro, que ao contrário do que escreve aqui, não são as palavras de Deus, mas sim as palavras de vários homens que o escreveram. Com mais ou menos imaginação, não houve nenhum Deus a escrever aquele livro, nem esse nem nenhum. Apenas homens comuns.

E Jesus Cristo não foi quem começou com o ritual da missa. Isso são coisas feitas também por outros homens, aquando do desenvolvimento da religião católica.

Por isso é preciso ter mesmo fé, para poder tirar proveita da missa. E isso é o que falta à maior parte. Fé e realmente acreditarem no que é dito. Porque se se deixarem de enganar a si mesmos, e disserem a verdade, vêm que no fundo não são cristãos.


De Maria a 20 de Outubro de 2014 às 12:18
Sou ateia. A minha opinião, sobre este assunto em concreto, vale o que vale. Respeito a religiosidade das pessoas. Muito. Já não gosto que façam considerações e juízos de valor sobre quem não é crente ou quem não vai à missa. O ser humano é muito mais complexo do que meia dúzia de chavões. E a espiritualidade pode ser encontrada de muitas formas. Perdoar-me-ão mas as missas católicas são mesmo uma seca. A começar no que se diz (desactualizado), a acabar nas cantilenas deprimentes. Fosse uma conversa informal com o actual Papa e era a primeira a marcar presença. Teria, certamente, coisas para aprender. Fosse uma missa gospel, cheia de energia positiva, alegria, ritmo, música e estaria lá caída todos os domingos. Porque até uma ateia gosta de encontrar um fio à meada nisto tudo. Nem que fosse a positividade que emana de quem encara a vida de forma leve e positiva, sem culpas, sem castigos a expurgar e outras coisas que tais. Assim, não obrigada.


De Emília Ferreira a 20 de Outubro de 2014 às 13:04
Maria, convido-a a celebrar a Missa connosco, em São Marcos, domingos às 11:30 h e vai ver que os cânticos são do mais fantabulástico que existem e que nos permitem transmitir o que nos vai na alma. Não são cantilenas deprimentes. Apareça. Terei Muito gosto em lhe dar um abraço.
Emília Ferreira


De Maria Pedro a 20 de Outubro de 2014 às 13:31
Há inumeras Santas Missas, por esse país fora, denomidadas muitas delas, como Missas dos Jovens ou mesmo dos Carísmáticos, que são cheias de vida e alegria. Bate-se palmas ao ritmo das musicas, ora-se muito ao Espírito Santo, havia de gostar!
Na nossa Igreja à gostos para tudo! E opiniões também. se gosta de uma Igreja / Celebração mais "enérgica", do tipo que falou, não hesite. Há inúmeras. Mesmo nas Igrejas que têm Missas mais "clássicas". Por isso há diversos horários. Umas mais organizadas por jovens ou grupos Carismáticos. Se procurar encontra. Em Vila Franca de Xira, havia uma SM ao final da tarde de Domingo que enchia, quer por causa do Sr. Padre Vitor (foi para outra paroquia à algum tempo e o fenómeno continua), quer pelos cânticos. Na CUF Descobertas, quer à 4ª feira à tarde, quer no Domingo à tarde, a capela enche, com gente (sobretudo crianças) a sentarem-se no recinto do altar, muito pelos cânticos e pelo Sr. Padre que também é capelão noutro Hospital. Temos muitas, lindas, na Portela de Sacavém, na Ig. do Cristo Rei, ao Domingo à tarde, enche. Na Linha se Sintra à inúmeras.... É só escolher. Não deixe de ir. Deus ama-a tanto e fica tão feliz não encontra os Seus filhos na sua Igreja.


De Olívia a 20 de Outubro de 2014 às 14:51
Gostei bastante deste texto (vi nos destaques do sapo) e resolvi comentar, sendo católica posso afirmar que muitas vezes até podemos ir à missa todos os dias e podemos andar distantes de Deus... É preciso descobrirmos a alegria de ir à fonte de água viva e saciar a nossa sede, e aí descobrimos a beleza da Eucaristia, a beleza da partilha e trazemos Jesus no coração para o distribuirmos em cada acção ao longo da semana!
Olívia


De Inês a 20 de Outubro de 2014 às 15:05
A Igreja Católica não deve criticar aqueles católicos que não vão a missa. Cada um vive a sua fé à sua maneira, o homem caracteriza-se pelas suas ações no seu dia a dia, não é o ir a missa que o faz mais católico ou não. Cada um deve seguir o seu coração. Há várias formas de ir buscar Deus na nossa vida.



De Anónimo a 21 de Outubro de 2014 às 01:38
Permita-me um comentário crítico que faço sem maldade, apenas para reflexão:

Parece-me revelar uma indignação/irritação desproporcionada face a PESSOAS apenas pelo facto de pensarem ou “estarem” de forma diferente da sua.

Não acha que podem não ter aínda encontrado o seu caminho ou terem optado por um caminho diferente do seu na manifestação e no sentir da sua espiritualidade?
Que a mensagem e a forma como esta tem vindo a ser transmitida pelos instrumentos da Igreja pode nem sempre sido a mais adequada e chegar a todos os receptores? Será isso da responsabilidade e culpa desses mesmo receptores?

Creio que hoje, mais do que nunca, precisamos de nos questionar sobre as “certezas” de cada um quanto ás questões “de forma” e evitar erros trágicos do passado, comuns a outras religiões. Precisamos sim de olhar, resolutamente, para um futuro em que seja valorizada a essência da mensagem, em que seja fomentado e vivido o melhor que cada PESSOA tem para dar ao mundo independentemente das diferentes abordagens da espiritualidade.

Tenho para mim que mais do que criticar seja quem for, é através da acção no dia a dia que se pode fazer evangelização: aceitando, valorizando e dando o melhor uso ás dádivas infinitas que ELE nos dá e agradecer, partilhando e abstendo-nos de acções que prejudiquem ou magoem os outros e não os vendo com indiferença, pois são também eles dádiva DELE.

Provavelmente teremos muito melhores resultados mostrando-lhes a abertura e o acolhimento que se deve esperar de quem vive segundo o lema "amai-vos uns aos outros como eu vos amei"… é que não me lembro de que ELE tenha estabelecido excepções.


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