Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

Desde que se deu o 25 de Abril, promoveu-se em Portugal o direito a manifestar-se por tudo e por nada. Muitos, inclusive, parece que só sentem que atingem a maioridade democrática se participarem numa qualquer manifestação contra os exploradores e usurpadores dos direitos adquiridos, assim dizem, nem que seja à custa de alguma injustiça e indiferença. Penso que já chega de indignação e de manifestações que escondem muito comodismo e resistência à mudança.

No dia 4 de Fevereiro, em alguns pontos do país, vários grupos de alunos do básico e secundário saíram à rua para, segundo noticiou a imprensa, «reivindicarem a revogação do estatuto do aluno, do regime de faltas, a aplicação imediata da educação sexual nas escolas, o fim dos exames nacionais, a melhoria das condições dos estabelecimentos de ensino e a gratuitidade dos manuais escolares». Não deixa de nos causar alguma impressão ver ganapos a realizar manifestações. E ainda para mais a pedirem a revogação de algumas medidas fundamentais para um ensino que se quer rigoroso e sério. Para eles só conta uma coisa: tornar o ensino pouco exigente e fácil. O ensino tem que ser bué fixe. Se ao menos se empenhassem em levantar a voz por causa do bullying (violência praticada de forma sistemática sobre alguém para o intimidar ou rebaixar), do ensino negado a quem não tem dinheiro, da discriminação a que os pobres são votados, da existência de violência nas escolas, da má integração que se proporciona a muitos alunos, entre outras coisas, até mereceriam alguma compreensão da nossa parte. Agora, reivindicarem o fim ou mudança do regime de faltas, quando toda a gente sabe que é um assunto onde não faltam atropelos e habilidades de chicos-espertos; reivindicarem a leccionação da educação sexual, quando um bom pai ou uma boa mãe o poderiam fazer em 15 minutos semanais; reivindicarem o fim dos exames nacionais simplesmente porque é menos um sacrifício que têm que fazer, não merecem senão a nossa repulsa e dá que pensar na forma como as novas gerações olham para a vida. De que é que se têm que queixar as novas gerações? Nos tempos mais recentes, não terão existido gerações com mais apoio e protecção do que as actuais. Vivem em famílias que os sustentam até aos 30 anos ou mais; da parte da sociedade, têm toda a atenção – veja-se o número de programas televisivos vocacionados para elas e o número de iniciativas que proliferam para lhes dar mais qualidade de vida; na sua maioria, vivem num mundo abastado onde nada lhes falta, com uma panóplia de tecnologia feita ao sabor das suas necessidades; mesmo no ensino, nunca houve escolas com as estruturas e meios que as escolas actuais têm, com boas bibliotecas ao seu dispor, uma alimentação razoável, professores de qualidade. Têm todo um mundo montado à sua volta que lhes faz quase as vontades todas, a começar pelos pais, que obsessivamente, vivem em complexo de compensação (dar aos filhos o que eles não tiveram). Que mais é preciso? E o que é que dão em troca de tudo isto? Manifestações? Só falta fazer-lhes a papa toda, como popularmente se diz. Porque não começarem a aplicar o tempo em actividades e projectos interessantes e construtivos em vez de o desperdiçarem em horas nocturnas inúteis e evasivas? Já começa a ser extremamente irritante ver muita gente a exigir tudo a todos e em troca não darem nada ou quase nada, querendo levar uma vida sem exigência e só pensando no seu bem-estar. Não há sociedade que se aguente assim.



publicado por minhasnotas às 10:14 | link do post | comentar

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